Zuckerberg nega que Meta tenha buscado viciar jovens em redes sociais durante julgamento nos EUA
19 fevereiro 2026 às 14h54

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O presidente-executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, negou em tribunal que a empresa tenha desenvolvido suas plataformas para viciar jovens em telas. O depoimento ocorreu durante um julgamento em Los Angeles que discute o impacto das redes sociais na saúde mental de menores de idade.
A Meta, controladora do Facebook e do Instagram, é ré em um processo movido por uma mulher da Califórnia que afirma ter sofrido danos à saúde mental após usar redes sociais ainda na infância. Ela também processa o YouTube, do Google.
Durante o depoimento, Zuckerberg reiterou que a Meta não permite o uso de suas plataformas por crianças menores de 13 anos. O advogado da autora, Mark Lanier, apresentou documentos internos que indicariam que esse público era considerado estratégico pela empresa.
Um dos documentos exibidos no tribunal foi uma apresentação interna do Instagram, de 2018, que afirmava: “Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência”. Questionado, Zuckerberg disse que o advogado estava distorcendo suas declarações e afirmou que a empresa discutiu, no passado, versões seguras de serviços para crianças, mas que o projeto não foi levado adiante.
Outro documento apresentado foi um e-mail de Nick Clegg, ex-vice-presidente de assuntos globais da Meta, mencionando que os limites de idade “não são aplicados (ou são inexequíveis?)”. Zuckerberg argumentou que a verificação de idade é um desafio técnico e que parte da responsabilidade deveria recair sobre fabricantes de dispositivos móveis.
Segundo o CEO, adolescentes representam menos de 1% da receita da companhia.
Tempo de uso e metas internas
Zuckerberg também foi questionado sobre declarações feitas ao Congresso dos EUA em 2021, quando afirmou não ter orientado equipes a maximizar o tempo de uso do aplicativo. O advogado apresentou e-mails de 2014 e 2015 nos quais o executivo estabelecia metas para aumentar o tempo gasto na plataforma.
O empresário respondeu que, embora a empresa tenha adotado metas relacionadas ao tempo de uso no passado, a estratégia mudou. Ele também afirmou que um documento de 2022 que projetava o aumento do tempo médio diário no Instagram não se tratava de uma meta formal, mas de uma estimativa de desempenho.
“Se fizermos um bom trabalho, as pessoas acharão os serviços mais valiosos e usarão com mais frequência”, declarou.
Caso pode abrir precedente
O julgamento é considerado um caso-teste dentro de uma série de ações judiciais movidas contra grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Além da Meta e do Google, empresas como Snap Inc. e TikTok também enfrentam processos semelhantes, embora essas duas tenham firmado acordo com a autora antes do início do julgamento.
Famílias, distritos escolares e estados norte-americanos apresentaram milhares de ações acusando as plataformas de contribuir para uma crise de saúde mental entre jovens.
A defesa da Meta sustenta que os problemas enfrentados pela autora do processo estão relacionados a circunstâncias pessoais anteriores ao uso das redes sociais. A empresa afirma ainda que tem implementado recursos voltados à segurança e ao bem-estar dos usuários.
O caso ocorre em meio a uma discussão global sobre o uso de redes sociais por menores de idade. A Austrália proibiu o acesso de usuários menores de 16 anos às plataformas digitais. Nos Estados Unidos, o estado da Flórida aprovou lei que restringe o acesso de menores de 14 anos, medida que está sendo contestada judicialmente por associações do setor de tecnologia.
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