Caso Magda Oliveira: polícia confirma 12 vítimas e grupo já reúne mais de 25 mulheres com relatos sobre procedimentos
24 setembro 2026 às 18h22

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Queimaduras, necrose, infecções, perda de tecido e sequelas que persistem mesmo após tratamentos estão entre as complicações relatadas ao Jornal Opção por mulheres que afirmam ter passado por procedimentos estéticos realizados pela fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva. A Polícia Civil de Goiás (PCGO) já confirmou 12 vítimas no âmbito da investigação.
Os relatos surgem após a prisão preventiva de Magda, realizada na segunda-feira, 21, em Goiânia. A fisioterapeuta é investigada por procedimentos estéticos invasivos que teriam provocado lesões graves e mutilações em pacientes.
Inicialmente, a Polícia Civil havia identificado sete vítimas, mas novos relatos começaram a surgir depois que o caso veio a público. Uma das mulheres ouvidas pelo Jornal Opção afirma que mais de 25 pessoas já integram um grupo criado para reunir documentos, fotografias e depoimentos relacionados aos procedimentos.
“Eu não conseguia sentar”
Uma das mulheres, que preferiu não ser identificada, afirma ter procurado Magda depois de ver, nas redes sociais, a divulgação de uma labioplastia apresentada como um procedimento a laser, sem cortes, sangramento ou necessidade de afastamento das atividades habituais.
Segundo ela, o procedimento foi realizado em 27 de julho. A mulher relata que não houve preparação adequada antes do atendimento e que percebeu problemas nas condições do local. Ao chegar em casa, começou a apresentar sangramento intenso e entrou em contato com Magda para saber se aquela reação era normal.
Dois dias depois, com o agravamento da dor e das alterações na região, procurou um cirurgião plástico. Conforme o relato, foi informada de que havia ocorrido a amputação dos pequenos lábios e que apresentava uma infecção. O tratamento durou aproximadamente um mês.

Durante esse período, a mulher afirma que enfrentou dificuldades até mesmo para realizar atividades básicas. “Eu não conseguia sentar. Ou ficava deitada ou em pé”, relatou.
Segundo ela, a dor era tão intensa que chegou a evitar comer e beber para reduzir a necessidade de evacuar ou urinar. As consequências também afetaram a rotina, o casamento e a vida sexual. Mesmo após o tratamento da infecção, a mulher afirma que ainda sente dores e sensibilidade na região e não conseguiu retomar completamente as atividades físicas.
Necrose e alteração na boca
Yanka Menezes também relata ter enfrentado complicações após um procedimento nos lábios. Ela já havia sido atendida por Magda anteriormente e afirma que, na primeira ocasião, não apresentou problemas. Na segunda intervenção, porém, sentiu mais dor e diz ter percebido a profissional nervosa durante o atendimento.
Nos dias seguintes, Yanka apresentou febre e inchaço intenso. Segundo ela, o queixo começou a expelir uma substância, enquanto os lábios ficaram escuros e arroxeados.
Diante das alterações, procurou outra profissional e foi orientada a descobrir qual substância havia sido aplicada. Como não conseguiu atendimento em uma unidade de pronto atendimento, afirma ter pago por uma ultrassonografia. Segundo Yanka, o exame indicou a presença de ácido, mas não permitiu identificar qual substância havia sido utilizada.
Ela afirma ainda que não recebeu informações claras sobre o produto aplicado durante o procedimento. Dias antes da prisão de Magda, Yanka enviou à fisioterapeuta uma fotografia de uma bolha que havia surgido na boca. Segundo seu relato, recebeu como orientação que a alteração seria normal e que deveria realizar massagens na região.
Fios começaram a sair pelo nariz
Laryssa Souza procurou Magda depois de acompanhar, pelas redes sociais, os procedimentos divulgados pela profissional. Em 2024, ela já havia realizado um procedimento nos lábios e afirma que, naquela ocasião, não teve complicações.
Posteriormente, Laryssa se interessou por um procedimento para o fechamento das abas nasais com fios de sustentação. Segundo ela, Magda apresentou fotografias de resultados anteriores e afirmou que a intervenção seria simples, sem cortes e com efeito estimado de três anos.
Durante o atendimento, Laryssa afirma ter percebido que não houve marcação prévia no nariz antes da realização do procedimento.

Nos dias seguintes, a região ficou machucada e inchada. Segundo Laryssa, a ponta do nariz apresentou uma queimadura que teria ocorrido durante uma etapa de cauterização. Depois, fios utilizados no procedimento começaram a ficar expostos, saindo pelo nariz, e surgiram pontos de inflamação.
Ela afirma ainda que o resultado esperado não foi alcançado. Mesmo após 30 dias, segundo Laryssa, a aparência do nariz permanecia praticamente a mesma de antes do procedimento.
Além das consequências físicas, Laryssa relata que a situação afetou sua autoestima e provocou impactos emocionais e financeiros.
Boca torta e busca por novos profissionais
Maynara Vitória conta que conheceu Magda em um salão de beleza e, posteriormente, decidiu realizar um procedimento nos lábios. Segundo ela, a fisioterapeuta informou que utilizaria ácido hialurônico. Após o atendimento, porém, Maynara afirma ter percebido que sua boca estava torta.
Ao questionar Magda sobre a alteração, recebeu, conforme seu relato, a informação de que a reação poderia ocorrer após o procedimento. O problema, no entanto, persistiu.

Maynara procurou dentistas e outros profissionais da área estética em busca de uma solução. Segundo ela, alguns se recusaram a realizar uma nova intervenção sem saber exatamente qual produto havia sido aplicado anteriormente.
Depois que o caso envolvendo Magda veio a público, Maynara afirma ter encontrado relatos de outras mulheres que também disseram ter apresentado complicações após procedimentos realizados pela fisioterapeuta.
Grupo reúne mais de 25 mulheres
A repercussão da investigação também levou mulheres que passaram por procedimentos com Magda a entrarem em contato umas com as outras. Segundo uma das entrevistadas pelo Jornal Opção, mais de 25 mulheres participam atualmente de um grupo criado para reunir e compartilhar documentos, fotografias e relatos.
Yanka também passou a conversar com outras pacientes e descreve o grupo como uma rede de apoio. As participantes trocam informações sobre os procedimentos e buscam alternativas para lidar com as consequências relatadas, além de indicações de profissionais que possam avaliar e acompanhar cada caso.
Os depoimentos mostram que os impactos relatados não se restringem às alterações físicas. As mulheres mencionam problemas de autoestima, dificuldades na rotina, impactos nos relacionamentos, prejuízos profissionais e gastos com consultas, exames e novos tratamentos.
Até o momento, a Polícia Civil confirmou 12 vítimas no âmbito da investigação. Os procedimentos apurados teriam sido realizados em diferentes partes do corpo, incluindo regiões íntimas, face, glúteos e mamas. Entre as complicações investigadas estão cortes, queimaduras, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido e cicatrizes.
Relembre o caso
Magda Oliveira da Silva foi presa preventivamente no dia 21 de setembro, em Goiânia, durante uma investigação da Polícia Civil de Goiás (PCGO) sobre procedimentos estéticos invasivos que teriam provocado lesões graves e mutilações em pacientes. Até então, sete vítimas haviam sido identificadas.
Segundo a Polícia Civil, os procedimentos investigados teriam sido realizados nas regiões íntima, facial, glútea e mamária. As pacientes relataram complicações como cortes, queimaduras, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido e cicatrizes. Em alguns casos envolvendo a região íntima, há relatos de retirada de tecido além do autorizado e de lesões na região do clitóris.
A investigação também reuniu documentos médico-legais e elementos periciais que apontaram, em determinados casos, lesões provocadas por ação incisional e térmica. De acordo com a polícia, há indícios de que alguns dos procedimentos teriam ultrapassado os limites técnicos e legais da atuação profissional da fisioterapeuta.
Durante a operação que resultou na prisão, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, sendo um na residência de Magda e dois em consultórios. Celulares, medicamentos e outros materiais foram apreendidos. Os policiais também encontraram medicamentos vencidos e identificaram a ausência de licença sanitária em um dos locais.
Na ocasião, a defesa afirmou que Magda estava à disposição das autoridades para fornecer informações, laudos e documentos, pediu cautela na divulgação do caso e declarou confiar que a regularidade da conduta da fisioterapeuta seria demonstrada ao longo da investigação.
Defesa afirma que irá apresentar documentos
A defesa de Magda Oliveira da Silva afirma que a fisioterapeuta está comprometida com a verdade e com o rigor ético na atuação profissional. Em nota, os advogados informaram que a investigada e sua equipe jurídica estão à disposição da Polícia Civil e do Judiciário para apresentar informações, laudos técnicos e documentos relacionados ao caso.
A defesa também pediu cautela na divulgação das informações e afirmou confiar que a inocência da profissional será comprovada durante o processo.
Leia a nota na íntegra:
“A Sílvio Maia Assessoria de imprensa informa que o parecer desfavorável emitido pelo Ministério Público referente ao pedido de soltura da fisioterapeuta Magda Oliveira trata-se de uma manifestação opinativa do órgão ministerial, não possuindo caráter definitivo.
Ressalta-se que a referida manifestação não influencia de forma conclusiva no mérito da decisão judicial, cabendo exclusivamente ao juiz responsável pelo caso analisar os autos e proferir a deliberação final sobre o processo, que segue seu trâmite regular na Justiça.”
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