Visita de Marina Silva a Aparecida de Goiânia é marcada por críticas aos adversários

Pessebistas não pouparam críticas a petistas e tucanos. E sobrou até para o democrata Ronaldo Caiado

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O PT e o PSDB não foram poupados durante visita da presidenciável Marina Silva (PSB) a Aparecida de Goiânia. No evento, que se iniciou cerca de três horas depois do previsto, o governadoriável Vanderlan Cardoso (PSB), o senadoriável Aguimar Jesuíno (PSB) e o candidato a vice-presidente Beto Albuquerque (PSB), que acompanhavam a candidata, teceram duras críticas tanto ao governo estadual quanto ao governo federal.

Falando para poucas pessoas — já que o atraso fez com que grande parte da militância fosse embora antes do fim do evento — a própria Marina não fez diferente de seus correligionários. Apesar de ter apontado propostas de seu plano de governo, especialmente para as áreas de saúde e educação, ela não deixou de cutucar os adversários.

Após destacar marcos importantes de sua vida e de sua carreira política, a candidata disse que há 20 anos dois partidos se revezam no poder: PT e PSDB. “Eles se acostumaram a ficar no poder fazendo uma guerra entre o azul e o vermelho. Sempre tratam as eleições como se fossem um plebiscito”, afirmou. “Eles fizeram isso em 2010, eu entrei com o [Leal] e provocamos o segundo turno. Quase 20 milhões de votos com pouco dinheiro e apenas 1min20 de televisão.”

Segundo Marina, Dilma só conseguiu ser eleita graças às alianças pouco ortodoxas que realizou. “A presidente Dilma tem 11 minutos, quase 12 [de propaganda na televisão]. Sabem como ela conseguiu isso? Se unindo com alhos e bugalhos, trocando ministérios por segundos de televisão”, disparou. “Nós fizemos uma aliança com base em programa, e é com essa aliança e com o povo brasileiro que vamos ganhar as eleições.”

Para fazer seu governo, ela não descarta contar com o apoio de bons integrantes de partidos do que ela classifica como “velha política”. Entre os citados estão Cristóvam Buarque, do PDT, e Eduardo Suplicy, do PT, tratado por Marina como um símbolo da defesa da ética.

E falando em articulação política, a pessebista rechaçou com veemência o movimento Marimar, em vigor em Goiás, que defende as eleições de Marina Silva para a presidência e Marconi Perillo (PSDB) para o governo estadual. “Ninguém está autorizado a utilizar o meu nome para fazer qualquer tipo de articulação política. Nós temos um candidato em Goiás, que é o Vanderlan. Nós temos um candidato ao Senado que é o Aguimar. A sociedade sabe quem é que está integrado ao projeto da mudança”, afirmou.

Fazendo clara referência às acusações que recaem sobre ela, de se render a determinados grupos religiosos, Marina fez questão de saudar “quem crê, quem não crê, independente de cor, de raça ou de orientação sexual”. “Nós temos respeito por todas as pessoas”, ressaltou.

A candidata tratou de rebater boatos recentes, de que poderia acabar com diversos programas sociais mantidos e/ou criados pelo governo atual, pontuando que o sistema de cotas permite que pessoas que de outra forma não teriam oportunidade possam se graduar e se tornar médicos, advogados ou economistas, como exemplificou. “Igualdade de oportunidades: é isso que vamos fazer. Vamos manter o ProUni, o Fies, o Pronatec e vamos melhorar a qualidade da educação brasileira”, declarou.

O senadoriável Aguimar Jesuíno fez questão de frisar o passado humilde de Marina ao iniciar sua fala. Em seguida, disparou contra o PT, que, segundo ele, transformou o governo em um “balcão de negócios”. Ele reiterou que nenhum dos candidatos ali presentes faz da política sua profissão e que a maioria está disputando sua primeira ou segunda eleição, fazendo contraponto aos concorrentes.

No entanto, a declaração mais contundente teve endereço certo: Ronaldo Caiado (DEM). “Não é possível que nós vamos eleger a Marina como presidente da República e vamos mandar ao Senado o Ronaldo Caiado para fazer uma oposição raivosa ao governo dela. Isso seria um retrocesso na política brasileira, mandar ao Senado Federal uma pessoa que na verdade é um classista, um dos grandes latifundiários deste Estado. Isso não é correto.” Segundo Aguimar, ele próprio é o único candidato ao Senado capaz de fazer as reformas que o povo deseja, especialmente no âmbito da ética.

Vanderlan Cardoso teceu inúmeros elogios a Marina. Tratada como “abençoada”, o governadoriável destacou que, mais do que a história de vida da candidata, são suas atitudes que devem ser levadas em consideração.

“Os problemas do Estado de Goiás, Marina está ciente de todos eles. Questão energética, de infraestrutura, educação, segurança e assim por diante”, disse. “O mesmo problema que você, Marina, tem enfrentado em nível nacional, que é essa polarização que tem sido danosa para o país, no nosso Estado não é diferente. Aqui é só há mais tempo: há mais de 30 anos os mesmos grupos estão comandando o Estado de Goiás, causando a destruição ao patrimônio dos goianos”, completou, citando os casos de Cachoeira Dourada, Celg, BEG e Caixego. “Agora a bola da vez é a Saneago.”

Beto Albuquerque, vice na chapa de Marina, declarou que a pessebista tem sido alvo de diversas calúnias, e apontou o ex-presidente Lula e a atual, Dilma Rousseff (ambos do PT), como “porta-vozes dessas mentiras”. Segundo ele, uma mulher como Marina, “que nasceu no meio da floresta” e viveu na miséria jamais modificaria ou acabaria com um projeto como o Bolsa Família ou o Minha Casa, Minha Vida. Os projetos, diz, não são do PT nem dos tucanos. “São do povo.”

“O dinheiro que paga a política social é do cidadão brasileiro, do povo; não é do PT, embora para o bolso do PT tenha ido muito recurso através da corrupção”, criticou. “Só tem uma coisa que nós vamos acabar nesse país: a corrupção.”

 

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doug

vamos la marina, estamos contigo guerreira. e marina 40

Claudio Ribeiro

Marina Presidente Brasil para Frente.