O candidato a vice-governador do Distrito Federal na chapa de Celina Leão (PP), Gustavo Rocha (Republicanos), afirmou a interlocutores que acredita no indeferimento do registro da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).

A declaração teria ocorrido em conversas reservadas e representa uma avaliação política de Rocha. Até o momento, não há decisão definitiva da Justiça Eleitoral que impeça Arruda de permanecer na disputa pelo Palácio do Buriti.

O pedido de registro do ex-governador está entre as candidaturas que precisam ser analisadas pelo TRE-DF. Segundo o calendário eleitoral, os processos, inclusive aqueles que foram impugnados, devem ser julgados pelas instâncias ordinárias até 14 de setembro.

A Procuradoria Regional Eleitoral do Distrito Federal pediu a impugnação da candidatura de Arruda sob o argumento de que ele permanece inelegível em razão de condenações relacionadas à Operação Caixa de Pandora. A defesa do ex-governador sustenta que ele reúne condições legais para concorrer e contesta a interpretação apresentada pelo órgão eleitoral.

Grass pode avançar na disputa

A eventual retirada de Arruda poderá alterar o cenário eleitoral do Distrito Federal. Leandro Grass (PT), atualmente na terceira colocação nas pesquisas, poderia ser o principal beneficiado por uma redistribuição dos votos.

A hipótese considera que parte dos eleitores de Arruda rejeita a candidatura governista de Celina Leão. Nesse cenário, uma parcela poderia migrar para Grass como alternativa de oposição. Também é cogitada nos bastidores a possibilidade de apoio formal ou informal do ex-governador ao petista, caso o registro seja definitivamente negado.

A transferência de votos, contudo, não é automática. Além de Grass, a disputa pelo campo de oposição reúne outros candidatos que também poderiam tentar conquistar o eleitorado de Arruda, entre eles Ricardo Cappelli (PSB) e Paula Belmonte (PSDB).

Qualquer mudança no quadro dependerá ainda do andamento do processo eleitoral e da posição que Arruda e o PSD adotariam diante de uma eventual decisão desfavorável.

Celina lidera pesquisa com 34%

A pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto mostra Celina Leão na liderança da corrida pelo Governo do Distrito Federal, com 34% das intenções de voto. Arruda aparece em segundo lugar, com 20%, seguido por Leandro Grass, que registra 13%.

Paula Belmonte e Ricardo Cappelli aparecem com 3% cada. Kiko Caputo (Novo) tem 2%, enquanto Professora Samara Mineiro (UP) registra 1%. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos, nulos e entrevistados que afirmaram não votar somam 10%, e 14% não souberam responder.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Celina é mencionada por 15% dos entrevistados. Arruda registra 8% e Grass, 7%. Nesse cenário, 63% ainda estão indecisos.

O levantamento ouviu presencialmente 1.104 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Encomendada pela TV Globo, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-06256/2026.

Segundo turno

Nas simulações de segundo turno, Celina aparece com 42% contra 32% de Arruda. Em um confronto com Grass, a governadora registra 52%, enquanto o petista soma 24%.

A pesquisa também testou uma disputa direta entre Arruda e Grass. Nesse cenário, o ex-governador alcança 44% e o candidato do PT aparece com 26%.

Os números mostram que, embora Grass possa ganhar espaço com uma eventual saída de Arruda, a reorganização da disputa ainda dependeria do destino dos votos do ex-governador, das alianças partidárias e do comportamento dos eleitores durante a campanha.

Registro ainda será julgado

O TRE-DF recebeu dez chapas para a disputa pelo Governo do Distrito Federal. A apresentação do pedido de registro não representa aprovação automática da candidatura. Durante a análise, a Justiça Eleitoral verifica o cumprimento das condições de elegibilidade e a existência de eventuais causas de inelegibilidade.

Caso a candidatura de Arruda seja indeferida pelo Tribunal Regional, a defesa ainda poderá recorrer às instâncias superiores. Até que haja uma decisão definitiva, o ex-governador continua na disputa e pode realizar campanha eleitoral.

Gustavo Rocha, autor da avaliação atribuída aos bastidores governistas, também teve o registro questionado pelo Ministério Público Eleitoral por suposta desincompatibilização apenas formal da Casa Civil do DF. A contestação foi baseada, entre outros elementos, na participação dele em uma audiência no Supremo Tribunal Federal. Posteriormente, o STF corrigiu a ata para registrar que Rocha esteve no encontro como ouvinte, e não como representante do governo.

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