O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria mantido conversas com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, nos dias que antecederam a prisão do banqueiro pela Polícia Federal. Segundo reportagem do Estadão, as mensagens indicariam que os dois trataram da possibilidade de avanço da primeira fase da Operação Compliance Zero e das medidas que poderiam ser adotadas diante de uma eventual ordem de prisão.

De acordo com o jornal, durante o feriado da Proclamação da República de 2025, Vorcaro questionou Moraes sobre a possibilidade de deixar o país. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, teria perguntado o banqueiro.

Dois dias depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal enquanto se preparava para embarcar em um avião particular no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O voo seguiria para Malta e, posteriormente, o banqueiro iria para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo as informações divulgadas à época, a viagem estaria relacionada às tratativas para a venda do Banco Master.

A reportagem do Estadão aponta ainda que as conversas entre Moraes e Vorcaro relacionadas à investigação teriam começado em 4 de novembro de 2025 e se intensificado conforme se aproximava a data da prisão.

Conforme a interpretação atribuída pela reportagem à Polícia Federal, o conteúdo das mensagens levantaria a suspeita de que informações sensíveis sobre o andamento da operação teriam chegado ao banqueiro, incluindo referências a possíveis datas e horários de diligências.

Na véspera da prisão, Vorcaro voltou a procurar Moraes pelo WhatsApp. “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”, questionou.

Naquele momento, segundo a publicação, a ordem de prisão ainda não havia sido assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. A determinação judicial teria sido expedida horas antes de o banqueiro ser localizado no aeroporto paulista.

Em outra parte da conversa divulgada pelo Estadão, Vorcaro teria mencionado o magistrado responsável pelo caso e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, além de questionar se havia alguma possibilidade de intervenção. “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o (Gabriel) Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”, escreveu.

Trecho de mensagem atribuída a Vorcaro para Alexandre de Moraes revelado pelo Estadão | Foto: reprodução/Estadão

Já por volta das 17h26 do dia em que acabou preso, Vorcaro teria voltado a procurar Moraes em busca de informações. “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, questionou o banqueiro.

Foto: reprodução/Estadão

Ainda segundo a apuração publicada pelo Estadão, as mensagens entre Vorcaro e Moraes eram trocadas por meio de recursos que dificultavam a preservação do conteúdo. Os textos seriam escritos inicialmente em aplicativos de notas, transformados em capturas de tela e enviados em modo de visualização única.

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