Setembro será marcado por temperaturas acima da média histórica em grande parte de Goiás, baixa umidade e possibilidade de aumento das chuvas em algumas regiões. A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica um mês mais quente, com precipitações acima do padrão principalmente no Sul, Sudoeste e Sudeste do Estado.

Em boa parte do território goiano, a temperatura média pode ficar até 1,5°C acima da climatologia de setembro. Nas demais áreas, o desvio previsto chega a 1°C. A projeção considera a média de todo o mês e não significa que os termômetros ficarão apenas 1°C ou 1,5°C mais altos em todos os dias.

O calor intenso já aparece nos primeiros dias. Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), as temperaturas podem atingir 40°C nesta quarta-feira, 2. A umidade relativa do ar deve cair para índices entre 15% e 18% durante a tarde, faixa classificada como de alerta.

Apesar da expectativa de chuva ao longo do mês, o começo de setembro ainda será marcado pelo predomínio de sol e pela continuidade da estiagem. As precipitações previstas inicialmente serão isoladas e insuficientes para recuperar, de forma imediata, os níveis de umidade do solo e dos mananciais.

Chuva pode superar média em parte de Goiás

A previsão do Inmet aponta volumes de chuva acima da média histórica no Sul, Sudoeste e Sudeste de Goiás. Nas demais regiões do Estado, os acumulados devem permanecer próximos ao padrão climatológico de setembro.

A projeção não significa, porém, que choverá durante todo o mês ou em todos os municípios. As precipitações podem ocorrer de forma irregular, concentradas em poucos dias e com diferenças significativas entre cidades próximas.

No começo de setembro, a passagem de uma frente fria pelo Sudeste do país deve criar áreas de instabilidade no Centro-Sul goiano. O Cimehgo prevê possibilidade de chuva em municípios como Catalão, Jataí, Rio Verde, Itumbiara, Ipameri, Morrinhos, Ouvidor e Goiandira.

Os volumes esperados nesta quarta-feira ainda são baixos. A previsão varia entre 1 e 3 milímetros em alguns municípios, podendo chegar a 8 milímetros nas regiões Sul e Sudoeste.

Embora possam amenizar temporariamente o calor em determinadas localidades, essas chuvas isoladas não serão suficientes para encerrar a estiagem. O Cimehgo também não identifica municípios com risco potencial de tempestade neste início do mês.

Estiagem já supera 80 dias

Setembro começou com períodos prolongados sem chuva significativa em quase todas as regiões goianas. Até esta terça-feira, 1º, as regiões Norte e Oeste acumulavam 82 dias de estiagem. A região Leste chegou a 81 dias e a Central contabilizava 79 dias.

No Sudoeste, o período sem precipitação significativa alcançou 69 dias. A região Sul apresentava a menor sequência, com seis dias, após o registro recente de chuva em parte dos municípios.

A ausência prolongada de precipitação reduz a umidade da vegetação, aumenta o risco de incêndios e pressiona os recursos hídricos. O Rio Meia Ponte, por exemplo, apresenta tendência de queda na região de Goiânia, com níveis abaixo da mediana a montante do ponto de captação.

Em Itumbiara, o nível do Meia Ponte também está abaixo da mediana para o período e se aproxima do limite inferior da faixa considerada normal. O Rio Araguaia permanece dentro da normalidade nos pontos monitorados em Aragarças, Aruanã e Nova Crixás, mas apresenta tendência de diminuição.

Mais de 180 cidades têm condições críticas para incêndios

Dos 246 municípios de Goiás, 183 apresentam condições meteorológicas críticas para a ocorrência e propagação de incêndios. O levantamento leva em consideração o chamado “fator 30-30-30”.

A expressão representa a combinação de temperatura igual ou superior a 30°C, umidade relativa do ar abaixo de 30% e ventos próximos ou superiores a 30 km/h. Esses elementos deixam a vegetação mais seca e favorecem o avanço rápido das chamas.

A lista inclui Anápolis, Goiânia, Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Aruanã, Caldas Novas, Catalão, Formosa, Jataí, Luziânia, Mineiros, Morrinhos, Porangatu, Rio Verde e Trindade.

O Cimehgo destaca que a presença dessas condições não significa que um incêndio necessariamente ocorrerá. O cenário indica, contudo, maior facilidade para o início e a propagação do fogo. O órgão lembra que a maioria das queimadas florestais e urbanas é provocada pela ação humana.

Rajadas de vento de até 50 km/h também estão previstas para este início de setembro. Além de espalhar as chamas com maior velocidade, o vento pode dificultar o trabalho das equipes de combate.

Máximas de até 40°C

As regiões Norte e Oeste devem registrar as maiores temperaturas nesta quarta-feira, com máximas de até 40°C e umidade mínima de 15%. Em Porangatu, os termômetros podem chegar aos 39°C. Araguapaz tem previsão de 40°C.

Na região Leste, as temperaturas podem alcançar 37°C. O Centro goiano poderá registrar máxima de 38°C, enquanto as regiões Sul e Sudoeste têm previsão de até 35°C.

Em Goiânia, o dia terá sol e variação de nebulosidade, com temperaturas entre 19°C e 35°C. A umidade relativa do ar pode cair para 18%. Há possibilidade de chuva isolada, com volume estimado em apenas 1 milímetro.

Anápolis terá predomínio de sol, mínima de 19°C e máxima de 33°C. A umidade pode atingir 15% no período da tarde, sem previsão de chuva significativa.

Rio Verde e Jataí devem registrar máxima de até 34°C e 33°C, respectivamente, com possibilidade de chuva isolada. Em Minaçu, a temperatura pode chegar aos 39°C, enquanto Aruanã tem máxima prevista de 39°C.

Efeitos na agricultura

A previsão de chuvas acima da média no Sul, Sudoeste e Sudeste goianos pode contribuir para a recuperação gradual da umidade do solo. O impacto, entretanto, dependerá da distribuição das precipitações ao longo do mês.

Segundo o Inmet, uma frequência maior de chuvas pode criar intervalos mais curtos para as operações de colheita. No caso do feijão de terceira safra em Goiás, precipitações durante a maturação podem dificultar a entrada de máquinas, elevar a umidade dos grãos e aumentar o risco de perda de qualidade.

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Figura 1: Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do INMET para o mês de setembro de 2026. 


Nas áreas em que a chuva permanecer limitada, a combinação de calor e baixa disponibilidade de água pode restringir o crescimento das pastagens. Esse cenário reduz a oferta de forragem e pode ampliar a necessidade de suplementação alimentar dos rebanhos.

Cuidados com a baixa umidade

Com índices entre 15% e 18%, a orientação é reforçar a hidratação, evitar exercícios físicos intensos nos horários mais quentes e reduzir a exposição direta ao sol durante a tarde.

Também é recomendado umidificar os ambientes, utilizar hidratantes na pele e evitar aglomerações em locais fechados. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias exigem atenção especial.

A população não deve colocar fogo em lixo, folhas secas, terrenos ou pastagens. Bitucas de cigarro também não devem ser descartadas em rodovias ou áreas com vegetação.

A previsão climática mensal representa uma tendência e pode sofrer alterações. Os dados sobre setembro foram divulgados pelo Inmet, enquanto as informações sobre o início do mês constam no boletim do Cimehgo.

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