Vereadores denunciam interferência do setor imobiliário na eleição da Câmara

Conhecido como G-16, grupo de novos vereadores que articula para a escolha da próxima mesa diretora, teria forte ligação com a especulação imobiliária

Djalma Araújo e Elias Vaz rebateram insinuações de “velhas práticas políticas dentro da Câmara Municipal | Foto: Reprodução / Câmara Municipal

Na última semana do ano, o Legislativo goianiense continua trabalhando normalmente, inclusive com a aprovação de matérias importantes e discussão de assuntos polêmicos em plenário.

Na sessão desta terça-feira (27/12), parlamentares usaram a tribuna para questionar o que um grupo de novos vereadores vêm chamando de “velhas práticas políticas”. Em várias declarações à imprensa, membros do chamado G-16, que articula fortemente para a eleição da mesa diretora da casa no próximo domingo (1º), reiteraram que não compactuarão com esta conduta em seus mandatos.

Vereadores mais experientes, porém, questionam as críticas. Um dos mais combativos da Casa, Djalma Araujo (Rede) acusou ligação do grupo ao setor imobiliário. “Esse grupo que está propondo a renovação da Câmara Municipal está reunidos com o setor imobiliário. Essa história de renovação é conversa pra boi dormir. São pessoas que pregam novas práticas políticas mas, ao mesmo tempo, comem no prato da especulação imobiliária.”

De saída do Legislativo, Djalma afirma que não acredita em renovação. “A renovação é só nos nomes porque as práticas políticas são as mesmas se não piores que as dos vereadores que estão aqui”, arrematou.

Tal posicionamento foi reiterado pelo vereador Geovani Antonio (PSDB) que, em pronunciamento na tribuna, ligou a articulação do grupo com a influência do setor imobiliário na escolha do próximo comando da casa.

Já o reeleito Elias Vaz (PSB) lembrou do trabalho da Câmara na Comissão Especial de Inquérito (CEI) das Pastas Vazias, em 2015, da qual foi presidente. “A CEI fez um trabalho exemplar de investigação dos processos no âmbito da secretaria de planejamento da Prefeitura de Goiânia, e levou a várias ações do Ministério Público, a partir de denúncias impetradas pelo colegiado. Isso com certeza deve ter incomodado algumas pessoas”, insinuou.

Geovani Antonio que foi relator da CEI das Pastinhas, também defendeu a atuação do colegiado contra as irregularidades do setor imobiliário. “O trabalho realizado pela CEI desvendou a realidade da influência do setor imobiliário em Goiânia, mas mostrou também que esta Casa não fica acuada frente a situações de irregularidades”, rebateu.

Por outro lado, Paulinho Graus (PDT), talvez o vereador da Casa que melhor articula junto aos novatos na questão da eleição da nova mesa diretora, saiu em defesa do grupo. “O intuito dos 16 vereadores é de ajudar a cidade. Eles se uniram por uma câmara forte, que vai caminhar junto com o prefeito para fazer o que precisa ser feito em Goiânia”, disse o vereador, apontando uma identificação do grupo com a base do prefeito eleito Iris Rezende (PMDB).

“Quando falam em ‘velhas práticas’, não é apontando o dedo para ninguém, mas no sentido de que não adotarão essa conduta”, justificou Paulinho Graus.

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