Vereadora critica salas modulares: ‘ineficiência e improvisação na rede municipal de ensino’

“Educação não é um puxadinho que a prefeitura faz e pronto”, afirma Sabrina


Secretário Municipal de Educação, Marcelo Ferreira, e prefeito de Goiânia, Iris Rezende |
Foto: Reprodução

A presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Educação, vereadora Sabrina Garcêz (PTB), apresentou um vídeo na sessão plenária desta terça-feira, 23, com imagens da visita de vereadores a diversas salas modulares disponibilizadas pela Secretaria Municipal de Educação (SME) para atender a rede municipal de ensino. A iniciativa foi classificada pela parlamentar como um “brilhante artifício utilizado pela prefeitura de Goiânia para atender nossas crianças”.

“Observem como foi feita a improvisação na instalação dessas salas, as cortinas são de papel crepom e foram feitas pela própria escola. Já essa estrutura para suporte dos containers foi feita pela Seinfra”, relatou Sabrina ao denunciar a situação irregular das salas visitadas.

A parlamentar relatou ainda que foi feito um contrato de R$ 5,6 milhões para contratação de 69 salas modulares, com custo médio de 80 mil reais por unidade. “Faço questionamentos sobre como a prefeitura e a SME pensam a educação na capital. Eles pensam a educação como provisória? É isso que eles querem ao contratar containers?”, indagou a presidente da CEI da Educação.

Escolha questionada

A parlamentar questionou ainda a duração das salas improvisadas, além das vantagens que levaram a gestão Iris a optar por uma solução temporária que só serviria a essa gestão. “Daqui dois anos esses containers acabam e a outra gestão tem que realizar outro gasto, isso é ineficiência da gestão pública”, denunciou Sabrina ao ressaltar que uma sala de alvenaria custa metade do valor pago em uma sala modular.  

“O pior é que tem vereadores aqui que acham essas salas ‘a melhor coisa do mundo’, mas é bom lembrar que os filhos deles estudam em salas de alvenaria”, denunciou Sabrina. “Foram gastos R$ 80 mil e não tem concreto embaixo da estrutura, apenas mato. E o período de seca está chegando, imaginem se isso pegar fogo? No Flamengo 10 meninos morreram em um container e a prefeitura gasta R$5,6 milhões com esse tipo de estrutura”, emendou a parlamentar.

Puxadinho

Segundo Sabrina, a educação “não é um puxadinho que a prefeitura faz e pronto”. A vereadora lembrou que o contrato milionário só prevê a manutenção das salas modulares por um ano.“E nos próximos anos será gasto mais dinheiro publico de forma ineficaz”. Sabrina também relatou que na unidade escolar do setor Morada do Sol, uma sala inaugurada há apenas dois meses já apresenta infiltração e fios soltos, configurando um espaço totalmente inadequado para as crianças.

“A empresa ganhou R$5,6 milhões e não fez a preparação do solo, quem fez isso foi a Seinfra com dinheiro do programa Escola Viva, que é um recurso para melhorias nas unidades. Essa é a real situação da nossa educação na gestão atual”, concluiu Sabrina Garcêz.

A reportagem entrou em contato com a SME, que respondeu em nota:


A Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME) esclarece que as salas modulares são estruturas feitas com materiais de alta resistência e paredes de fibra isotérmica. Os módulos são construídos sobre pisos de compensado naval com aplicações de resina antichama, janelas blindex e iluminação LED, sempre mediante normatização dos órgãos de vigilância responsáveis. A Pasta aponta que a grande vantagem destas construções está na rapidez com que são implantadas nas unidades de ensino, com tempo médio de 15 a 20 dias para sua instalação e finalização segura para os educadores e educandos.


Frente a crescente demanda por vagas e diante do anseio da gestão em garantir o direito básico à Educação, tal tipo de construção possibilita que as instituições garantam atendimento efetivo em tempo muito menor. Ademais, a Pasta pontua que as adequações advindas das salas modulares as integram ao projeto da escola para garantir a acessibilidade com rampas, além de segurança pela instalação do guarda-corpo. A SME destaca, ainda, que as salas modulares fazem parte de um conceito de metodologias inovadoras trabalhado pelo Ministério da Educação (MEC) há, pelo menos, dez anos. A partir disso, a Secretaria frisa haver atas com registro de preço para salas modulares licitados pelo próprio Ministério.

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Junivan

Será o que tem na cabeça desde prefeito? Meda? Um total desrespeito com a sociedade.