Venezuelanas abordam questões ambientais por meio de animação

Carolina D’ávila e Sorel Fabiani vieram ao festival que selecionou suas animações para a mostra competitiva. Ambas abordam relação entre homem e natureza

Animação Galus Galus, que discute relação do homem com o animal | Foto: divulgação

Animação Galus Galus, que discute relação do homem com o animal | Foto: divulgação

Sarah Teófilo
Da Cidade de Goiás

Animação venezuelana marcou presença na 17ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica). O festival selecionou, dentre os 21 filmes, três venezuelanos, sendo duas animações. As cineastas Carolina D’ávila e Sorel Fabiani explicaram ao Jornal Opção Online o processo de produção e escolha da temática que aborda, de formas distintas, questões ambientais.

Bióloga, Carolina já trabalha com animação há algum tempo, e veio à Cidade de Goiás com o curta “No Jile”, que conta a história de um idoso que, sem água, é obrigado a deixar seu país. A cineasta e roteirista pontuou que a ideia veio após ver uma nota em um jornal, dizendo que existem no mundo mais refugiados por clima do que por guerra.

De acordo com ela, a Venezuela viveu uma situação crítica, em que por cinco meses o país sofreu uma crise hídrica gravíssima. “No momento, fizeram campanha para gastar menos. Mas quando acabou, acabou a campanha. Não existe política pública nesse sentido”, garantiu.

A criação do curta demorou demorou dois anos, e a equipe utilizou a mesma estética usada pelo artista venezuelano Armando Reveron. O trabalho foi árduo, já que os ilustradores tiveram que treinar muito para chegar a uma estética mais próxima possível que a do artista. Quando chegaram à cor e à textura, veio a parte que Carolina considera mais difícil: fazer os desenhos se moverem.

Em seguida, veio o processo de inserir som na animação. “Queria que fossem músicas que refletissem a Venezuela, mas que também fosse uma música que as pessoas pudessem ouvir em qualquer lugar, que não fosse folclórico. Já os sons ambientes, como de pássaros e coqueiros, foram gravados ao vivo e depois colocados na animação”, explicou.

Sorel Fabiani participou da produção de “Galus Galus”, em que Clarissa Duque é a diretora e roteirista. O filme conta a história de um mendigo em uma grande metrópole que passa a ter um galo como bicho de estimação.

A ideia, conforme Soreal, era utilizar a imagem de capitais, pensando em um personagem ignorado pela sociedade. “E nada mais anônimo que um mendigo”, e completou: “O foco principal da animação é falar da relação do homem com qualquer tipo de vida. Os animais, a natureza, são algo para servir ao homem ou são uma outra vida?”

Ambas ainda elogiaram a iniciativa do festival, que reúne diversas pessoas interessadas em discutir e entender mais questões ambientais. “É fantástico estar em contato com outras pessoas com a mesma preocupação. Aqui trocamos contatos, ideias, e ficamos mais forte perante problemas que acontecem aqui, na Venezuela, na Argentina — em todos os lugares.”

Além das animações venezuelanas, foram selecionadas uma brasileira e uma indiana.

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