Velomar Rios diz que Adib agiu como “ditador” e dividiu grupo político em Catalão
02 setembro 2026 às 17h38

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O prefeito de Catalão, Velomar Rios (MDB), afirmou, em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, que o rompimento político com o ex-prefeito Adib Elias (MDB) não partiu dele, mas do próprio aliado, que teria mudado de posição sobre as eleições de 2026. Segundo Velomar, havia um acordo dentro do grupo político, que atua unido há cerca de quatro décadas, para apoiar a reeleição do deputado estadual Jamil Calife (PP). A decisão de Adib de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), de acordo com o prefeito, alterou o cenário e provocou a divisão.
Velomar afirma que, quando foi escolhido para disputar a Prefeitura de Catalão, Adib teria resistido à sua candidatura. Posteriormente, segundo o prefeito, os dois conversaram sobre os planos eleitorais e Adib teria dito que pretendia disputar uma vaga ao Senado, e não à Alego. A partir desse entendimento, o grupo teria avançado na construção de uma candidatura única em apoio a Jamil Calife. “Lá no início, o Adib me prometeu que o grupo reelegeria o Jamil”, disse Velomar.
Mudança de acordo
De acordo com o prefeito, Adib chegou a manifestar publicamente apoio a Jamil, mas teria mudado de posição posteriormente. Velomar garante possuir vídeos nos quais o ex-prefeito reconhecia Jamil como candidato do grupo. “Ele gravou um vídeo em abril do ano passado falando do Jamil, que o Jamil era o candidato, um deputado atuante. Dois meses depois, ele já estava disparando, falando mal do Jamil”, relatou.
Na avaliação de Velomar, a mudança de estratégia de Adib ocorreu principalmente por interesses relacionados à eleição municipal de 2028. O prefeito avalia que uma candidatura à Alego poderia servir como estrutura política para uma futura disputa pela Prefeitura de Catalão. “A Alego seria um trampolim para que ele tenha estrutura para disputar a eleição de 2028. Isso ficou muito claro”, disse.
Velomar também rejeita a versão de que teria sido responsável pela ruptura do grupo. Segundo ele, a dissidência foi provocada pela decisão de Adib de abandonar o entendimento anterior e reivindicar o apoio político que havia sido direcionado a Jamil. O prefeito classificou a postura do ex-aliado como autoritária. “Ele chegou como imperador, chegou como ditador, chegou, colocou. Ele tem todo o direito, a história dele habilita ele a pleitear o que ele quiser, mas faltou diálogo”, avaliou Velomar.

Maioria com Jamil
Apesar do racha, Velomar sustenta que a maior parte da estrutura política permanece ao seu lado e deve seguir apoiando Jamil Calife. Em uma comparação hipotética, o prefeito estima que mais de 90% do grupo político continua alinhado à sua posição, enquanto uma parcela menor teria acompanhado Adib. “Se o nosso grupo tem mil pessoas, 900 estão comigo. Ele tem 10% do grupo com ele”, declarou.
Velomar, no entanto, evita dizer que Adib esteja completamente isolado. Ele reconhece o peso político e eleitoral do ex-prefeito, que já administrou Catalão e exerceu três mandatos de deputado estadual. Para o prefeito, Adib ainda mantém prestígio e uma relação histórica com parte significativa da população. “O Adib é uma pessoa que tem prestígio. Foi prefeito quatro vezes, teve três mandatos de deputado. Ele tem o prestígio dele”, afirmou.
Disputa pela Alego
Na avaliação de Velomar, a divisão das forças políticas de Catalão dificulta a eleição simultânea de Adib e Jamil. O município possui cerca de 75 mil eleitores, e o prefeito estima que o número de votos válidos possa ficar próximo de 50 mil na eleição de 2026. Com outros candidatos também buscando votos na cidade, ele avalia que nenhum dos principais nomes conseguiria garantir sozinho uma vaga apenas com a votação local.
“Se fosse só o Adib ou só o Jamil, também não daria eleição final. Mas aí sim, sairia de lá com a eleição praticamente garantida. Ia precisar de pouco voto fora para poder complementar”, explicou. Entre os nomes citados por Velomar na disputa estão, além de Adib e Jamil, Gustavo Sebba (PSDB), o que amplia a fragmentação dos votos de Catalão.
Velomar destaca que Jamil já trabalha para ampliar sua votação fora de Catalão e afirma que o deputado mantém articulação em cerca de 90 municípios. Segundo ele, 63 dessas cidades são consideradas bases de apoio mais relevantes para o projeto eleitoral. “O Jamil hoje tem uns 90 municípios em que está fazendo trabalho. Sessenta e três desses municípios ele conta como municípios de apoio um pouco mais importante, com possibilidade de um pouquinho mais de voto”, afirmou.
Fico com Jamil
O prefeito também deixa claro que pretende manter sua posição política e não ficar em cima do muro diante da disputa. Segundo Velomar, quando percebeu que não seria possível construir uma candidatura única, comunicou diretamente a Adib que permaneceria ao lado de Jamil. “Você nos fez assumir compromisso com o Jamil. Então, se as duas candidaturas forem avante, eu vou com o Jamil”, relatou.
O rompimento, portanto, marca uma mudança significativa em um grupo político que, segundo Velomar, caminhava unido há aproximadamente 40 anos. A disputa pela Alego em 2026 passou a representar não apenas uma eleição estadual, mas também um teste de força entre os grupos de Adib e Velomar e uma antecipação da sucessão municipal de 2028. Para o prefeito, a estratégia escolhida por Adib acabou provocando uma divisão que poderá influenciar diretamente os próximos ciclos eleitorais de Catalão.
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