Dor durante a relação sexual, incômodo ao praticar exercícios ou usar roupas justas, cicatrizes dolorosas e alterações provocadas por partos estão entre os motivos que têm levado mulheres a procurar cirurgias íntimas. Embora esses procedimentos ainda sejam frequentemente relacionados à estética, parte das pacientes busca corrigir problemas que afetam o conforto, a funcionalidade e a qualidade de vida.

A procura acompanha um movimento observado em diferentes países. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) apontam que cerca de 201 mil cirurgias genitais externas femininas foram realizadas no mundo em 2024. Desse total, 48,4% das pacientes tinham entre 18 e 34 anos, indicando que a demanda não está restrita às alterações provocadas pelo envelhecimento.

Segundo a cirurgiã plástica Renata Magalhães, especializada em cirurgia íntima, o maior acesso a informações sobre saúde íntima também contribuiu para que mulheres passassem a procurar tratamento para situações que antes eram encaradas como permanentes.

“Hoje as mulheres entendem que dor, desconforto, ressecamento ou insatisfação após uma cirurgia não precisam ser aceitos como algo definitivo. Muitas descobrem que existe tratamento para recuperar conforto e funcionalidade”, afirma.

Dra Renata
Cirurgiã plástica Dra. Renata Magalhães | Foto: Divulgação

Entre os casos que podem chegar aos consultórios estão assimetrias, cicatrizes dolorosas, retrações e excesso ou falta de tecido após procedimentos anteriores. Partos, menopausa, envelhecimento, grandes perdas de peso, traumas e condições congênitas também podem provocar mudanças na região íntima.

As complicações decorrentes de cirurgias anteriores representam apenas uma parte dos casos. Alterações hormonais e as próprias transformações do organismo ao longo da vida também podem modificar a anatomia da região e, em determinadas situações, causar sintomas.

Quando as alterações deixam de ser apenas estéticas

Os efeitos podem aparecer em situações comuns do dia a dia. Dependendo do caso, a mulher pode apresentar irritação, ressecamento, dor durante relações sexuais, dificuldade para praticar atividades físicas ou desconforto provocado pelo atrito com roupas.

Também podem existir impactos emocionais. Algumas pacientes relatam insegurança, perda da autoestima, vergonha do próprio corpo e receio de buscar um novo tratamento após experiências negativas.

A indicação de uma cirurgia, porém, deve ser individualizada. Segundo Renata, é necessário avaliar a anatomia, os sintomas apresentados e o impacto do problema na rotina antes de definir a melhor abordagem.

Nos procedimentos reconstrutivos, podem ser utilizadas técnicas como reposicionamento de tecidos, enxertos de gordura e correção de cicatrizes. O objetivo é recuperar estruturas alteradas e, ao mesmo tempo, preservar aspectos como sensibilidade e funcionalidade.

“O objetivo da reconstrução não é buscar perfeição, mas devolver conforto, funcionalidade, segurança e qualidade de vida para que a paciente volte a se sentir bem com o próprio corpo”, destaca.

Conheça os principais tipos de cirurgia íntima

As cirurgias íntimas não correspondem a um único procedimento. A técnica utilizada depende da região afetada, das alterações encontradas e dos sintomas apresentados pela paciente.

Ninfoplastia

A ninfoplastia é utilizada para reduzir os pequenos lábios quando há excesso de tecido. Além do incômodo com a aparência, algumas mulheres podem apresentar atrito com roupas, dificuldades relacionadas à higiene ou dor durante as relações sexuais.

Cirurgias na região do clitóris

Procedimentos nessa região podem ser indicados em situações específicas, como alterações anatômicas ou aumento do tecido associado a fatores hormonais ou congênitos. Por ser uma área com grande concentração de terminações nervosas, a indicação e a técnica precisam considerar a preservação da sensibilidade e da função.

Correção dos grandes lábios

Os grandes lábios podem perder ou acumular volume ao longo da vida. Envelhecimento, menopausa, variações de peso e gestações estão entre os fatores que podem modificar a região.

A correção depende do tipo de alteração encontrada e pode envolver técnicas para retirar excesso de tecido ou recuperar o volume perdido.

Lipoaspiração do monte pubiano

A região localizada acima do púbis, conhecida como monte pubiano ou monte de Vênus, também pode apresentar acúmulo de gordura. Em casos selecionados, a lipoaspiração pode ser utilizada para reduzir esse volume quando ele provoca incômodo.

Independentemente do procedimento, Renata reforça que a decisão deve partir de uma avaliação individualizada. A paciente deve conhecer a indicação, os possíveis riscos e as limitações da cirurgia, além de evitar promessas de resultados padronizados.

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