Vaza delação de desembargadora que abre esquema de magistrados, advogados e políticos

Documento foi homologado pelo Superior Tribunal de Justiça em junho deste ano. Vazamento é ilegal, diz Corte Superior

Desembargadora e filho fizeram acordo de delação premiada | Foto: reprodução

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologou, em junho deste ano, uma delação premiada da desembargadora Sandra Inês Rusciolelli e de seu filho, Vasco Rusciolelli. Na última quinta-feira (14), o documento foi vazado para a TV Bahia. O acordo faz parte da Operação Faroeste, que um esquema de venda de sentenças, formação de quadrilha, grilagens de terra e outros crimes.

Foram mais de 600 páginas entregues ao Ministério Público Federal (MPF). A magistrada e seu filho apontam atos de corrupção de 12 desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), além de 12 juízes, 15 advogados, 15 parentes dos envolvidos e 16 pessoas entre servidores públicos e políticos. O senador Ângelo Coronel é um dos citados.

Ao tentar contato com o MPF e com o STJ para confirmar detalhes da peça, a TV Bahia teve como resposta a ilegalidade do vazamento. Segundo o órgão ministerial, as colaborações premiadas são protegidas por sigilo legal até apresentação de eventuais denúncias. A Corte Superior afirmou que o vazamento da delação é ilegal.

Os acusados trataram as informações como levianas e caluniosas. Segundo a desembargadora denunciante, as decisões contrárias que tomou em desfavor de agricultores do oeste do estado a colocou em condição de oposição ao grupo.

O acordo prevê 20 anos de prisão para Sandra Inês, a serem cumpridos de forma progressiva com três meses de regime fechado. Apesar do desligamento do TJ-BA, não haverá perda do cargo para a magistrada. Seu filho seria beneficiado com 22 anos de prisão, seis meses em regime fechado.

Desde 2019 o TJ-BA investiga o suposto esquema. As apurações fazem parte da Operação Faroeste.

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