O Vaticano anunciou nesta quinta-feira, 2, a excomunhão de bispos, sacerdotes e fiéis ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, após o grupo realizar a ordenação de quatro novos bispos sem autorização do papa Leão XIV. Para a Igreja Católica, a iniciativa representa um cisma, ou seja, uma ruptura formal com a autoridade papal.

A cerimônia de ordenação ocorreu na quarta-feira, 1º, apesar dos apelos do pontífice para que o grupo suspendesse a decisão. Em resposta, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou um decreto declarando excomungados os quatro bispos ordenados, além dos dois bispos que participaram da cerimônia de consagração.

Em nota explicativa, o Vaticano informou que a penalidade também se estende aos sacerdotes e aos leigos que aderirem formalmente à fraternidade. Segundo a Igreja, esses integrantes passam a estar fora da comunhão com Roma e ficam impedidos de participar validamente dos sacramentos até que haja arrependimento e reconciliação.

O decreto ainda faz um alerta aos católicos para que não ingressem formalmente no grupo, sob pena de incorrerem automaticamente na mesma sanção canônica. Além disso, o Vaticano declarou que os sacramentos celebrados pela fraternidade ocorrem de forma ilícita e que o grupo não possui autorização para administrar validamente alguns deles, como casamentos e confissões, salvo exceções concedidas anteriormente pela Santa Sé.

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Ruptura com a autoridade do papa

Pelas normas da Igreja Católica, somente o papa pode autorizar a ordenação de novos bispos. A regra busca preservar a sucessão apostólica, tradição segundo a qual os bispos são considerados sucessores dos apóstolos de Jesus Cristo.

Por isso, a ordenação episcopal sem autorização papal é considerada uma das infrações mais graves do Direito Canônico e resulta em excomunhão automática dos envolvidos.

O Vaticano também classificou formalmente o episódio como um cisma, termo utilizado para designar uma ruptura grave entre um grupo e a autoridade da Igreja.

Grupo rejeita reformas do Concílio Vaticano II

Fundada pelo arcebispo Marcel Lefebvre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X surgiu em oposição às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965.

Entre as principais divergências está a rejeição às reformas litúrgicas que permitiram a celebração da missa nas línguas locais, substituindo a obrigatoriedade do latim. O grupo também contesta outros ensinamentos do concílio voltados ao diálogo com outras religiões e denominações cristãs.

Segundo a própria fraternidade, a ordenação dos quatro novos bispos seria necessária para garantir a continuidade de sua estrutura e assegurar a sucessão de líderes religiosos.

Grupo mantém presença no Brasil

Apesar das tensões históricas com o Vaticano, houve momentos de aproximação nas últimas décadas. Em 2009, o papa Bento XVI revogou a excomunhão dos bispos ordenados pela fraternidade em 1988. Posteriormente, o papa Franciscoautorizou, em caráter permanente, que sacerdotes do grupo administrassem validamente o sacramento da confissão e, em determinadas situações, também pudessem celebrar casamentos mediante autorização da autoridade eclesiástica local.

Atualmente, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X possui capelas em diversos estados brasileiros, entre eles São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Piauí e Maranhão.

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