Vacina contra a gripe não provoca a doença; entenda por que muitas pessoas acreditam no contrário
17 junho 2026 às 19h36

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A ampliação da vacinação contra a gripe para toda a população a partir dos seis meses de idade reacendeu um debate recorrente nas redes sociais: a vacina pode causar gripe? Segundo o Ministério da Saúde e especialistas da área, a resposta é negativa. O imunizante é produzido com vírus inativados e não tem capacidade de provocar a doença.
A infectologista Juliana Barreto explica que a vacina contém vírus mortos, impossibilitando a infecção pelo vírus influenza. “A vacina contra a gripe não pode causar gripe. Ela é produzida com vírus morto, o que chamamos de vírus inativado. Portanto, não existe possibilidade de a vacina provocar a doença”, afirma.
A percepção de que a imunização pode desencadear sintomas gripais costuma estar relacionada à circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios durante o período de vacinação. De acordo com a médica, pessoas vacinadas podem contrair outras infecções respiratórias pouco tempo depois da aplicação da dose, criando uma associação equivocada.
“Muitas pessoas tomam a vacina e, dias depois, apresentam sintomas respiratórios causados por outros vírus que também circulam nesta época do ano. Isso gera a falsa impressão de que a vacina causou gripe, quando, na verdade, ela está protegendo justamente contra os casos mais graves de influenza”, diz.
O Ministério da Saúde também destaca que vírus como rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), parainfluenza e o coronavírus podem provocar sintomas semelhantes aos da gripe. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) apontam que o estado registrou mais de 4 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, com cerca de 200 mortes confirmadas.
Segundo informações divulgadas pela secretaria, aproximadamente 10% dos óbitos tiveram relação com alguma cepa do vírus influenza. Crianças, idosos e gestantes estão entre os grupos considerados mais vulneráveis às complicações decorrentes da doença. Apesar da ampliação da campanha para toda a população, esses segmentos continuam sendo prioridade para as ações de imunização.
Outra dúvida frequente diz respeito à necessidade de tomar a vacina todos os anos. Segundo especialistas, o vírus influenza sofre mutações constantes, o que exige a atualização periódica da composição do imunizante.
“As cepas do vírus mudam constantemente. Por isso, a vacina aplicada no Hemisfério Norte não é exatamente a mesma utilizada no Hemisfério Sul. Todos os anos ela é atualizada para acompanhar as variantes que estão circulando e garantir maior proteção”, afirma Juliana Barreto.
Além das alterações genéticas do vírus, a proteção oferecida pela vacina diminui ao longo do tempo, motivo pelo qual a recomendação das autoridades de saúde é pela vacinação anual. A vacina disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a trivalente, que protege contra dois subtipos do vírus Influenza A e um subtipo do Influenza B.
Já as vacinas tetravalentes incluem uma cepa adicional do Influenza B. Há ainda formulações de alta dose, voltadas principalmente para pessoas idosas, grupo que apresenta maior risco de desenvolver formas graves da doença. Segundo especialistas, a escolha da formulação depende da faixa etária, da disponibilidade e das recomendações das autoridades sanitárias.
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