Unidade de referência em alta complexidade, HMI sofre com demanda da rede básica de Saúde

Juntamente com as gestões estadual e municipal, Ministério Público irá promover reuniões técnicas com a fim de encontrar soluções para a superlotação na unidade

Foto: Divulgação/SES

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O secretário estadual de Saúde, Leonardo Vilela (PSDB), se reuniu, nesta terça-feira (24/3), com o promotor de Justiça Érico de Pina para tentar encontrar uma solução para a superlotação do Hospital Materno Infantil (HMI). Considerada uma unidade de média e alta complexidade, o HMI tem recebido um grande número de pacientes que poderiam estar sendo tratados na unidade básica de Saúde, cuja responsabilidade é da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Em entrevista coletiva, o secretário estadual de Saúde, Leonardo Vilela, afirmou que o HMI recebe seis mil pacientes por mês, o dobro do que atendia há dois anos. “Os municípios devem assumir o seu papel. Cabe a eles, a atenção básica e ao Estado à alta complexidade, e este é um hospital de alta complexidade”, ressaltou.

De acordo com o titular, hoje, os casos mais simples correspondem a 60% dos atendimentos do hospital. “O excesso de pacientes que poderiam ser atendidos nas unidades básicas comprometem o atendimentos desses pacientes graves e, além disso, as mães são obrigadas a esperar por horas”, explicou.

Em nota, a direção do HMI usou a expressão “inversão da pirâmide assistencial” para justificar a superlotação, explicando que toda a rede de assistência à Saúde está “desequilibrada”. “Nossos profissionais estão pedindo desligamento e, os que ficam, clamam por condições mais seguras de trabalho. É preciso encontrar uma solução urgente”, argumentou a diretora da unidade, Leandra Leal.

A informação é de que 20 crianças aguardam internação no HMI e outras 60 estão internadas de forma improvisada no Pronto Socorro da unidade. Como medida paliativa, o secretário Leonardo Vilela afirmou que irá providenciar a transferência desses pacientes para outras unidades de saúde. “Não se trata de colocar culpa em A, B ou C. O que queremos é procurar uma solução”, explicou.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por sua vez, nega a falta de profissionais na área de Pediatria nos Cais e outras unidades da atenção básica, mas confirma que grande parte dos pacientes encaminhados para o HMI poderiam ser atendidos nos postos. A pasta lembra também que as unidades geridas pela Prefeitura estão sobrecarregadas devido à epidemia de dengue.

O promotor Érico de Pina Cabral informou à imprensa que deve ocorrer ainda esta semana a primeira reunião técnica do órgão, juntamente com representantes das gestões municipais e estaduais, a fim de encontrar medidas de controle no fluxo de pacientes. Para ele, a solução seria a criação de novos centros de referência, assim como hoje é o HMI.

“Falei agora há pouco com uma mãe de Hidrolândia, que trouxe seu filho para tratar aqui, porque aqui tem atendimento de qualidade e é um ponto de referência. Dessa forma, precisamos criar um novo ponto de referência”, argumentou o promotor.

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