Três furacões explodem ao mesmo tempo no Pacífico em meio a El Niño histórico
05 setembro 2026 às 08h38

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Três furacões avançam simultaneamente pelo Oceano Pacífico nesta quinta-feira, 3, em um cenário considerado raro por especialistas e associado ao forte aquecimento das águas provocado pelo fenômeno climático El Niño. A tempestade tropical Marie ganhou força no fim da noite de quarta-feira e passou a ser classificada como furacão nas proximidades da costa da Baja Califórnia, no México. O sistema se juntou aos furacões Karina e Lowell, ambos de categoria 4, que seguem em direção ao oeste do Pacífico.
A ocorrência simultânea de três furacões chama a atenção dos especialistas. Segundo a climatologista Julia Cole, da Universidade de Michigan, é “definitivamente raro de observar” três sistemas desse tipo ativos ao mesmo tempo na região.
“O aquecimento causado pelo El Niño cria as condições para essas tempestades, que são alimentadas em grande parte por águas quentes”, explicou a cientista à agência AFP.
Furacão Lowell ameaça o Havaí
Entre os três sistemas, o furacão Lowell é o que apresenta maior potencial de provocar impactos em áreas habitadas nos próximos dias. O fenômeno estava a cerca de 710 quilômetros ao sul de Hilo, no Havaí, segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC).
De acordo com o órgão, as ondas provocadas pelo furacão devem se propagar em direção ao norte e atingir partes do Havaí. A previsão é de condições perigosas nas áreas próximas à costa, especialmente por causa da agitação marítima.
Até o momento, os três furacões seguem pelo Pacífico, mas a combinação de águas excepcionalmente quentes e sistemas tropicais intensos mantém os meteorologistas em alerta.
El Niño aumenta formação de tempestades
O cenário ocorre durante um episódio de El Niño considerado excepcionalmente forte. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno deste ano tem 69% de probabilidade de se tornar o mais intenso já registrado.
O El Niño ocorre, em geral, a cada dois a sete anos. O fenômeno começa quando os ventos alísios — correntes de ar que normalmente ajudam a manter as águas mais quentes concentradas no Pacífico Ocidental — enfraquecem.
Com isso, uma quantidade maior de água quente chega à superfície e se desloca em direção ao leste do Pacífico. O aumento persistente das temperaturas oceânicas fornece mais energia para a formação e intensificação de tempestades.
Situação semelhante ocorreu em 2015
A presença de vários ciclones tropicais ao mesmo tempo não é inédita. Em 2015, outro episódio particularmente forte de El Niño foi acompanhado pela formação sucessiva de quatro ciclones na região.
O fenômeno não afeta apenas o Pacífico. Como o oceano e a atmosfera estão interligados, alterações nas temperaturas e na circulação atmosférica podem provocar mudanças nos padrões de chuva, temperatura e formação de tempestades em diferentes partes do planeta.
A combinação entre o aquecimento anormal do Pacífico e a formação de sistemas tropicais intensos, portanto, é acompanhada de perto por centros meteorológicos devido ao potencial de produzir impactos que vão além das áreas diretamente atingidas pelos furacões.


