“Transformei o roteiro com IA e ajustei para formato vertical”, diz cineasta goiano sobre processo de produção até chegar a Cannes
06 maio 2026 às 15h27

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Selecionado para o Fantastic Cinema Showcase, dentro do Festival de Cannes, o curta Fruit, do cineasta goiano Cristiano Sousa, reflete uma aposta consciente em novas linguagens do audiovisual. Em entrevista ao Jornal Opção, o diretor detalha como a combinação entre formato vertical e inteligência artificial foi decisiva para viabilizar o projeto e garantir espaço em um dos principais mercados de cinema do mundo.
A exibição ocorre entre os dias 12 e 17 de maio, no Palais des Festivals, dentro da programação do Fantastic Pavilion, voltado ao cinema de gênero. Mais do que a presença internacional, o realizador destaca o processo criativo e estratégico por trás do filme.
“Essa discussão já está muito presente nos festivais. É uma demanda contemporânea. Eu vi uma oportunidade de produzir mesmo com pouco tempo e já pensando diretamente na possibilidade de seleção”, afirmou.
A decisão de trabalhar com o formato vertical surgiu após participação no Ventana Sur, evento voltado ao mercado audiovisual. Lá, Cristiano teve contato com produções que exploram tecnologia e novas formas de narrativa, o que influenciou diretamente o desenvolvimento de Fruit.
“Eu já vinha de uma experiência com inteligência artificial em um projeto anterior, feito durante o doutorado. Isso me inspirou a testar novamente, agora pensando em um filme voltado para circulação internacional”, explicou.
Apesar do uso da IA, o cineasta afirma que a base da obra continua sendo autoral. “O roteiro já estava escrito para live action. Eu adaptei para a inteligência artificial, ajustando para o formato vertical, que exige uma narrativa mais curta e direta”, disse.
Segundo ele, a tecnologia permitiu alcançar resultados visuais mais sofisticados em menos tempo. “Os efeitos parecem caros, há uma consistência visual dos personagens. Isso torna o resultado interessante, principalmente considerando o tempo de produção”, avaliou.
Cristiano Sousa também trata a participação em Cannes como uma estratégia de inserção no mercado global. Esta será sua terceira ida ao festival, experiência que, segundo ele, já trouxe resultados concretos.
Leia também: Goiás em Cannes: curta é selecionado para vitrine internacional do cinema
“Cannes tem um networking muito forte. Na última vez, consegui fechar negócios importantes para Goiás, trazendo parceiros internacionais para projetos no estado”, afirmou.
Agora, a expectativa é ampliar essas conexões. “Vou com mais conhecimento do mercado e mais consolidado como realizador. Isso muda a forma como você é recebido e abre mais portas”, pontuou.
O diretor reforça que o festival funciona como vitrine para além da exibição. “Ali estão concentrados produtores, distribuidores e investidores do mundo inteiro. É um espaço essencial para quem quer internacionalizar projetos”, disse.
Ao comentar o avanço do formato vertical, impulsionado pelo consumo em dispositivos móveis, Cristiano avalia que a tendência não substitui o cinema tradicional, mas amplia possibilidades. “Existe público para todos os formatos. O conteúdo vertical atende quem está no celular, consumindo rapidamente. Mas não concorre com o cinema, ele complementa”, afirmou.
Para ele, a popularização dessas ferramentas pode, inclusive, fortalecer o setor. “Essa facilidade de produção pode despertar o interesse de novas pessoas pelo audiovisual. É uma porta de entrada que pode levar ao cinema tradicional e a produções mais complexas”, completou.

