Tragédia anunciada: moradores de áreas de risco sofrem com alagamentos em Goiânia

Jornal Opção foi até estes locais e viu de perto o perigo que muitos goianienses enfrentam todo ano na época da chuva

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As chuvas torrenciais que caíram sobre a capital na última semana causaram transtornos para grande parte dos goianienses. Ruas ficaram intransitáveis, parte da Marginal Botafogo desabou, e em vários pontos da cidade um antigo problema apareceu mais uma vez: os alagamentos.

As áreas de risco são velhas conhecidas do poder público. Prova disso é que hoje a Defesa Civil de Goiânia monitora 57 pontos críticos de alagamento na capital. Mas, apesar do trabalho de monitoramento, bastou o período chuvoso começar para que os moradores voltassem a sofrer com a água invadindo suas casas.

A reportagem do Jornal Opção percorreu alguns desses pontos e pôde presenciar de perto este perigo.

Chuva que mata

Na rua Nonato Mota, na Vila Redenção, onde existe uma ponte que passa por cima do córrego Botafogo, a água da chuva já fez vítimas fatais. A dona Maria Alves, que mora na região há quase 60 anos, conta a história de um casal que foi arrastado pela água quando voltava do supermercado, onde tinha comprado leite para os filhos.

Ela diz que o problema começou depois que a ponte foi construída, mas que agora já se “acostumou” com o problema. “Eu já sei como é aqui, quando chove eu fico quietinha na minha casa, nem tiro o meu carro da garagem. O perigo maior é de quem passa por aqui e não sabe como fica essa ponte em dia de chuva”, relata.

Osama, na ponte da rua Nonato Motta, acenava para motoristas não atravessarem o local | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O medo de que mais uma tragédia como a narrada anteriormente acontecesse no local fez com que Osama (foto), morador da região, fosse para a ponte na última quinta-feira (14) orientar os motoristas a não enfrentar a água e fazer a travessia.

Mesmo debaixo da forte chuva que caía, o homem que havia saído do trabalho e tentava voltar para casa, contou à nossa reportagem que todo ano a situação se repete e a água da chuva deixa a Rua Nonato Motta interditada.

De acordo com a Defesa Civil de Goiânia, três dias antes da tempestade, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) estiveram na Vila Redenção para coleta de lixo e reparos na grade de contenção da ponte. No entanto, galhos de árvores amontoados na beira do córrego foram arrastados para o meio da pista durante a chuva (veja foto na galeria acima).

Ninguém entra, ninguém sai

No Jardim América a situação não é diferente. Quem mora na Rua C-107, próximo ao córrego Cascavel já sabe: depois que a chuva começa, ninguém entra e ninguém sai de casa. Isso porque o acúmulo de água deixa a rua completamente intransitável.

Morador da região, Ivamar Faustino conta que a água da chuva já invadiu a casa dele várias vezes. A mobília da casa que divide com a mãe, ficou completamente destruída. Para contornar o problema, Ivamar, por conta própria, deu o seu jeito e subiu o meio fio para tentar barrar a enxurrada.

“Nós estamos no descaso aqui, a prefeitura não toma nenhuma atitude por nós. Por isso eu mesmo tratei de subir esse meio fio já que não tenho condições de me mudar daqui, que é a minha vontade”, desabafa.

Para ele, a principal causa do alagamento são os bueiros entupidos. “É falta de manutenção diária e de zelo por parte da prefeitura. A água vem da parte de cima do setor trazendo todo o lixo que não foi recolhido”, lamenta.

Hosana Nakaya, que também mora em uma ponto de alagamento no Jardim América, compartilha da opinião. “Quando chove a água entra dentro da sala da gente, é complicado. Os bueiros ficam todos entupidos, a gente passa até uma semana inteira sem coleta de lixo e quando a chuva vem, vai tudo para dentro das bocas de lobo.”

Moradora do bairro há 30 anos, ela conta que, por várias vezes, já ficou ilhada do lado de dentro ou de fora da casa. “Se chover aqui ninguém não sai de casa não, e nem entra. A água fica bem alta, o carro não passa.”

Em entrevista ao Jornal Opção, o coordenador geral da Defesa Civil disse que a situação está dentro da “normalidade” e que os alagamentos acontecem apenas em alguns pontos isolados. Segundo ele, um trabalho preventivo foi realizado pelo órgão durante o período de seca. “Antes das chuvas começarem, nós fizemos um levantamento dos pontos críticos, dos bueiros entupidos e passamos para a Comurg que fez a limpeza dos bueiros. Só nesse trabalho preventivo, a Seinfra recolheu mais de 60 toneladas de lixo”, informou.

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