As tentativas de fraude de identidade avançaram com força no Brasil no primeiro semestre de 2026, especialmente no varejo. O setor registrou crescimento de 120,7% em relação ao mesmo período do ano passado, mais que dobrando o número de ocorrências e apresentando a maior alta entre os segmentos analisados pela Serasa Experian.

Os dados fazem parte do Mapa da Fraude, que contabilizou 2.860.957 tentativas de uso indevido de identidade entre janeiro e junho deste ano. O levantamento considera situações identificadas durante processos de cadastro e validação de usuários, como abertura de contas, solicitação de crédito e contratação de serviços.

O avanço, no entanto, não ficou restrito ao varejo. As tentativas cresceram 51,4% no setor de Telefonia e 40,2% em Serviços, indicando que esse tipo de crime tem se espalhado por diferentes atividades à medida que cadastros e contratações migram para o ambiente digital.

Setor financeiro concentra seis em cada dez tentativas

Embora o varejo tenha apresentado o maior crescimento percentual, é no setor financeiro que está a maior parte das ocorrências. Meios de Pagamento, Bancos e Cartões e Financeiras concentraram, juntos, 61,1% de todas as tentativas detectadas no semestre.

Meios de Pagamento lideram com folga, respondendo por 42,71% do total. Telefonia aparece na segunda posição, com 22,09%, seguida por Bancos e Cartões, com 16,67%.

Na sequência estão Outros, com 10,76%; Serviços, com 3,79%; Varejo, com 2,21%; e Financeiras, com 1,77%.

Os números mostram uma diferença importante: apesar de representar pouco mais de 2% do total de ocorrências, o varejo foi o segmento no qual as tentativas avançaram mais rapidamente em relação a 2025.

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Golpe pode começar na abertura de uma conta ou contratação de serviço

A fraude de identidade ocorre quando dados de uma pessoa são utilizados indevidamente para tentar realizar cadastros, contratar produtos ou obter acesso a serviços. Isso significa que o problema vai além de golpes envolvendo diretamente contas bancárias ou cartões.

“A fraude de identidade não está restrita às instituições financeiras. Ela pode ocorrer na contratação de uma linha telefônica, na abertura de uma conta, na solicitação de crédito, no credenciamento de um estabelecimento ou no cadastro para acessar diferentes serviços”, explica o diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, Leandro Bartolassi.

Segundo ele, a digitalização dessas atividades também amplia a necessidade de mecanismos capazes de verificar se quem realiza determinado cadastro é realmente o titular dos dados apresentados.

“Com a migração de mais jornadas para o ambiente digital, cresce também a necessidade de validar identidades por meio de diferentes camadas de proteção”, acrescenta.

Mais de 2,8 milhões de tentativas em seis meses

O Mapa da Fraude contabiliza exclusivamente ocorrências identificadas na etapa de cadastro e validação de identidade, processo também conhecido como onboarding.

Dessa forma, os 2,86 milhões de registros não representam todas as fraudes ocorridas no país durante o período. Ficam de fora, por exemplo, golpes detectados posteriormente durante compras, pagamentos, transferências e outras movimentações financeiras.

A participação de cada setor foi calculada sobre o total de tentativas identificadas no primeiro semestre. Já a categoria Outros reúne atividades que ainda estão em processo de consolidação na base da pesquisa. Por esse motivo, a variação anual desse grupo não foi considerada indicador de tendência.

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