Candidaturas negras, indígenas e de pessoas com deficiência do PT de Goiás preparam uma mobilização em protesto contra a distribuição dos recursos do fundo eleitoral para as eleições deste ano, que deve acontecer nesta segunda-feira, 31, em frente ao diretório estadual do partido. O grupo, formado por 28 candidaturas, acusa a Executiva Estadual de ter classificado os postulantes de grupos representativos como candidaturas “sem competitividade” e concentrado os maiores repasses em nomes considerados prioritários, sem critérios claros.

Os valores foram definidos por uma tabela que classifica os candidatos entre “Reeleição”, G1, G2, G3 e G4. Cada categoria tem direito a uma verba pré-determinada pela tabela. A crítica das candidaturas é de que não foram estabelecidos critérios consistentes e que a distribuição das verbas no Estado teria prejudicado as candidaturas de grupos representativos.

A tabela de distribuição à qual a reportagem teve acesso mostra diferenças significativas entre as faixas de recursos. Confira os valores:

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Uma das candidaturas envolvidas na mobilização, que pediu para não ser identificada, afirma que postulantes negros, indígenas e pessoas com deficiência foram colocados nas faixas de menor prioridade. Segundo a fonte, algumas mulheres chegaram a receber apenas R$ 10 mil, enquanto alguns homens ficaram sem qualquer recurso. “Tem candidato que recebeu zero”, afirmou.

A fonte também questiona o fato de uma candidata branca, na faixa dos 20 anos de idade e sem trajetória política anterior, ter recebido mais de R$ 250 mil, enquanto candidaturas negras com atuação em movimentos sociais e militância partidária teriam recebido valores muito menores.

No material de convocação da mobilização, o grupo cita nominalmente a deputada federal Adriana Accorsi, que teria recebido mais de R$ 2,325 milhões, e o deputado federal Rubens Otoni, com R$ 1,8 milhão. Os valores são compatíveis com as faixas destinadas às candidaturas à reeleição apresentadas na tabela.

A principal reclamação, no entanto, é a falta de comunicação prévia sobre os valores. Segundo um candidato do PT a deputado federal, integrantes do grupo assumiram compromissos financeiros durante a preparação da campanha sem saber que receberiam recursos reduzidos ou ficariam sem acesso ao fundo. “Tem mulher chorando, tem mulher que não sabe dormir. Tem mulher que não sabe como é que vai pagar a conta”, afirmou.

O candidato questiona por que os postulantes não foram informados antes de assumir despesas. Segundo ele, com conhecimento prévio dos repasses, algumas candidaturas poderiam ter optado por não disputar ou reduzido os compromissos financeiros. “Tinha que ter avisado as pessoas. ‘Você vai pegar nada. Você vai querer ser candidato?’ Aí sim, não vou fazer compromisso agora”, disse.

Ele afirma que as candidaturas negras pretendem permanecer unidas e pressionar a direção partidária por uma revisão da distribuição. “Tá achando que a gente vai ficar desunido, que vai aguentar calado”, declarou. O candidato também classificou a situação como “desumana” e disse que tenta levar a discussão a outras lideranças do partido e do campo progressista, citando o ministro Guilherme Boulos, para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tome conhecimento do caso.

As candidaturas também questionam os critérios utilizados para dividir os nomes entre G1, G2 e G3. Segundo a fonte, a classificação teria sido definida internamente pela Executiva Estadual e estaria relacionada às diferentes forças políticas do partido. “Os interesses são das tendências. Não é a decisão da população”, afirmou.

Parte do grupo propõe que 10% dos recursos destinados às candidaturas que receberam os maiores valores sejam direcionados aos nomes que ficaram com repasses menores. Outra alternativa defendida é elevar os valores das candidaturas prejudicadas para patamares próximos aos do G2.

Quatro mulheres negras, segundo uma das candidaturas, avaliam retirar seus nomes da disputa caso não haja revisão dos repasses. A medida poderia afetar a composição das chapas proporcionais do partido diante das regras eleitorais de participação feminina.

A mobilização deve reunir as 28 candidaturas consideradas prejudicadas pelo grupo, formado por representantes negros, indígenas e pessoas com deficiência. Os candidatos pretendem pressionar a direção partidária por uma revisão dos critérios e por uma redistribuição dos recursos.

O PT de Goiás foi procurado para apresentar sua versão sobre os critérios utilizados na distribuição do fundo eleitoral e sobre as acusações feitas pelas candidaturas, mas ainda não retornou aos contatos.

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