Temer afirma que Geddel continua no governo

Ministro da Secretaria de Governo teria atuado em favor de interesses particulares em um projeto imobiliário em Salvador

O presidente Michel Temer (PMDB) decidiu manter no cargo o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, informou nesta segunda-feira (21/11) o porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola. Geddel foi acusado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de tê-lo pressionado a atuar em favor de interesses particulares em projeto imobiliário em Salvador.

Mais cedo, nesta segunda-feira (21), a Comissão de Ética Pública da Presidência adiou a decisão sobre a abertura de processo para apurar se Geddel violou o código de conduta federal ou a Lei de Conflito de Interesses (Lei 12813) ao procurar o então ministro da Cultura para tratar de assunto de interesse pessoal. A maioria dos membros da comissão já havia votado a favor da abertura do processo, mas um integrante pediu vista do processo e a decisão foi adiada.

Marcelo Calero pediu demissão na última sexta-feira (18) e afirmou que havia saído por ter sido pressionado por Geddel a intervir junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a fim de liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador. A construção do empreendimento não foi autorizada por estar prevista em uma área tombada.

Geddel admitiu ter conversado com Calero sobre a obra, mas negou tê-lo pressionado. O ministro disse estar preocupado com a criação e manutenção de empregos.

“O presidente Michel Temer ressalta que todas as decisões sob responsabilidade do Ministério da Cultura são e serão encaminhadas e tradadas estritamente por critérios técnicos, respeitados os marcos legais e preservada a autonomia decisória dos órgãos que o integram, tal como ocorreu no episódio de Salvador”, acrescentou o porta-voz da Presidência da República.

Congresso

No Senado, a oposição defende a investigação de Geddel. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que seu partido, em associação com o PCdoB e a Rede, pretende entrar com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro.

Já o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), acredita que a oposição está tentando criar um fato político que “não vai embaraçar a atuação do governo”. “Interessa ao ministro Geddel e interessa ao governo que esse assunto seja esclarecido”, afirmou Jucá.

Jucá ressaltou que a base governista continua unida em torno das ações “graves e sérias” que tem para tratar e não deve se abalar por causa do episódio. “O governo está firme no seu objetivo, no seu rumo traçado, e nós não vamos sair do foco. Eventualmente, se qualquer questão pontual surgir sobre qualquer ministro, deverá ser tratada também de forma pontual. Sem tirar o governo do seu rumo”, enfatizou.

Na Câmara dos Deputados, o vice-líder do governo, Darcísio Perondi (PMDB-RS), afirmou que não há motivo para afastamento de Geddel. Perondi disse que conversou com o Geddel no fim de semana e que este estava tranquilo. “Não deve se afastar, ele deve continuar à frente do ministério.”

O líder do PTB, o goiano Jovair Arantes,  também defendeu Geddel e classificou as declarações de Calero de “perseguição” contra o ministro. Ele disse que não conhece a questão a fundo, mas ressaltou que a ação de Geddel foi mais no sentido de defender o desenvolvimento econômico da região onde se localiza a obra. (Com informações da Agência Brasil)

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