TDAH, que tem diagnóstico difícil, não deve ser confundido com quadro de impulsividade

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais lista dezoito sintomas que indicam a diferença

Foto: Freepik

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) atinge cerca de 4% da população adulta mundial, conforme a Organização Mundial de Saúde, sendo que, só no Brasil, 2 milhões de pessoas – 6% das crianças e, no caso dos jovens, 69%. A doença, descrita pela primeira vez em 1902 por um pediatra inglês, mas ainda hoje seu diagnóstico e tratamento apresentam dificuldades. Inclusive, existe confusão em relação ao quadro de impulsividade.

Segundo Mario Louzã, médico psiquiatra, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha, e Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, as causas do TDAH são desconhecidas, mas a doença resulta de uma alteração do neurodesenvolvimento, conforme especialistas, com diagnósticos realizados por meio de avaliação clínica minuciosa, com a tratamento, se não houver dúvidas, envolvendo abordagens psicológica, psicopedagógica e medicamentosa.

A fim de diferenciar os do TDAH de um quadro de impulsividade, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) lista dezoito sintomas que nos indicam o diagnóstico, conforme revela Mario.

Diferenças

Em relação ao TDAH, é apontado que a pessoa, frequentemente, não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras atividades; costuma ter dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas, como conversas ou leituras prolongadas; parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente, mesmo na ausência de qualquer distração óbvia; não segue instruções até o fim e não consegue terminar trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho, uma vez que perde o foco rapidamente; tem dificuldade para gerenciar tarefas sequenciais, em manter materiais e objetos pessoais em ordem, realiza trabalho desorganizado e desleixado, não gerencia bem o tempo, tem dificuldade em cumprir prazos; evita, não gosta ou reluta em se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado (em caso de adolescentes mais velhos e adultos, a dificuldade está no preparo de relatórios, preenchimento de formulários ou revisão de trabalhos longos); perde coisas necessárias para tarefas ou atividades, como materiais escolares, lápis, livros, instrumentos, carteiras, chaves, documentos, óculos ou celular; é facilmente distraído por estímulos externos (para adolescentes mais velhos e adultos, pode incluir pensamentos não relacionados); além de ser esquecido em relação a atividades cotidianas, como realizar tarefas e obrigações (adolescentes e adultos tem dificuldade em retornar ligações, pagar contas ou manter horários agendados).

Já no caso da impulsividade, foram destacados: frequentemente, remexe ou batuca as mãos ou os pés ou se contorce na cadeira; levanta da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado; corre ou sobe nas coisas em situações em que isso é inapropriado (em adolescentes ou adultos, pode se limitar a sensações de inquietude); é incapaz de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente; “não para”, agindo como se estivesse “com o motor ligado”; fala demais; deixa escapar uma resposta antes que a pergunta tenha sido concluída; tem dificuldade para esperar a sua vez; e frequentemente, interrompe ou se intromete nas conversas, em jogos ou em atividades. Inclusive, a pessoa pode começar a usar as coisas de outras sem pedir ou receber permissão. Com

Para o diagnóstico, conforme o médico, esses sintomas devem aparecer todo o tempo, em qualquer ambiente. Além disso, precisam causar algum tipo de prejuízo funcional ao indivíduo, como baixo rendimento escolar ou no trabalho, por exemplo.

Feito o diagnóstico na criança, o indicado é o acompanhamento médico contínuo, pois é ele quem indicará o tipo de tratamento.

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