A escritora e navegadora Tamara Klink, autora do best-seller “Bom Dia, Inverno”, voltou atrás neste domingo, 9, após causar repercussão ao sugerir que os leitores parassem de comprar exemplares de sua obra, que figura entre os mais vendidos do país há três meses consecutivos. Em uma publicação nas redes sociais, a autora reconheceu que sua recomendação foi equivocada e que não havia ponderado o impacto negativo que tal posicionamento poderia causar em todo o mercado editorial brasileiro.

“Errei em não ver outros pontos de vista. Precisamos da leitura. Precisamos de autores. Pequenos, grandes e independentes. Sou leitora antes de ser autora e não levei em conta toda a cadeia que alimenta as editoras. Agradeço a cada um que faz a leitura ir mais longe do que a prateleira.”, escreveu a autora em sua retratação.

Inicialmente, Tamara Klink havia defendido que os leitores recorressem a empréstimos, bibliotecas públicas e doações como alternativa à compra de novos exemplares de “Bom Dia, Inverno”, justificando sua posição com argumentos ambientais. A autora afirmou que o aumento da demanda por livros físicos implica em maior consumo de papel e energia, o que pode ampliar as emissões de gases poluentes. “Se vocês puderem, se vocês têm acesso a uma biblioteca, pessoas da família, colegas do trabalho, façam os livros circularem”, disse anteriormente.

A controvérsia, no entanto, provocou reações de jornalistas e escritores renomados, que criticaram a fala da autora, apontando-a como hostil ao setor literário e lembrando a já reconhecida dificuldade de se viver da escrita no Brasil. Diante da repercussão negativa, Tamara Klink afirmou ter passado a enxergar novas e diferentes formas de defender a leitura e a circulação de livros, sem prejudicar toda a cadeia produtiva envolvida.

Na mensagem de desculpas, ela citou editoras, autores independentes e consagrados, livrarias, sebos e bibliotecas como partes fundamentais desse ecossistema. “Nesses dois dias soube de muita gente defendendo os livros, as editoras, os autores, as vendas, as bibliotecas, as livrarias, os sebos, as anotações, o apego, os acervos familiares, o acesso, a preocupação ambiental, o compartilhamento, os exemplares que atravessam gerações de mil maneiras”, completou.

Apesar da retratação e do recuo em relação ao pedido inicial, a navegadora manteve sua preocupação ambiental em outra publicação, na qual reforçou que a produção de um exemplar físico envolve o uso de papel e energia. “Tem um monte de papel, um monte de energia que foi gasta para este livro existir. Se seu plano é deixar o livro a vida toda guardado na estante, mude este plano”, aconselhou.

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