Superintendência Regional do Trabalho pede interdição do HMI

Nesta terça, será entregue termo com cronograma de dez dias para a desocupação do prédio

Foto: Enviada ao Jornal Opção

Após auditoria, interdição do Hospital Materno Infantil (HMI) foi determinada por Auditores Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho em Goiás (SRT/GO), nesta segunda-feira, 29. A unidade de saúde, administrada pelo Instituto de Gestão e Humanização (IGH), tem dez dias, a partir desta terça-feira, 30, para apresentar um cronograma de desocupação do prédio.

Este cronograma deverá ser emitido pelas coordenações técnicas da unidade e a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO). Vale destacar que o termo de interdição será entregue às 10h, nesta terça-feira, 30, na sede da SRT.

Auditoria

A auditoria que motivou a decisão, realizada de forma conjunta com fiscais do Conselho Regional de Farmácia, foi feita nos últimos quatro meses. O relatório constatou que há problemas graves na instalação elétrica da unidade, com risco de incêndio, e mais.

Ressalta-se que os trabalhos foram motivados por uma série de denúncias. Além disso, segundo a auditora fiscal responsável pela coordenação do trabalho, Jacqueline Carrijo, esses alertas apontavam para falta de medicamentos e insumos, e péssimas condições de trabalho.

“A situação do hospital”, de acordo com ela, “é de total abandono, mas um abandono que já dura anos e anos”. Ela elucida que o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) acompanharam todas as fases da auditoria.

Outros apontamentos

Foto: Enviada ao Jornal Opção

Segundo os auditores, o HMI também apresenta péssima estrutura arquitetônica, hidráulica, superlotação e degradação predial. Segundo eles, isto potencializa os riscos de infecção e acidentes de trabalho.

Também foi verificado possibilidade de degradação de medicamentos nos postos de enfermagem. Isto, conforme apurado, pela inexistência de sistema de climatização, calor excessivo, umidade, bem como deterioração do mobiliário.

E tem mais: há insuficiência de medicamentos na farmácia, falta de higiene e conforto ocupacional, ineficiência do controle de pragas e desorganização ocupacional imposta aos trabalhadores em razão da estrutura do hospital.

Jacqueline classificou como “esforço heroico” a atuação dos profissionais que mantém os serviços do HMI. São cerca de 1.300 servidores – estatutários e celetistas. “Esses trabalhadores merecem ser tratados com respeito, dignidade e justiça por todos, principalmente pelo Governo do Estado de Goiás”, afirma a auditora.

Desocupação

O termo de interdição pede que a desocupação ocorra de forma segura e progressiva. Esta deve ser acompanhada por médicos e enfermeiros da unidade e, ainda, pela Vigilância Sanitária. O intuito é garantir a segurança dos pacientes.

Este documento também detalha sobre outras atividades. Os contêineres usados como cozinhas para o preparo de refeições do HMI e do Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (ambas administradas pelo IGH) devem ter seu uso interrompido imediatamente, por uma série de riscos como calor excessivo, choque elétrico, incêndio e desabamento por problemas estruturais.

Novos pacientes não poderão ser aceitos, a partir desta terça, até que se regularize a farmácia. Os postos de enfermagem e enfermarias auditados serão interditados. Segundo os auditores, por conta de limpeza e higienização ineficientes. E não só isso: estrutura arquitetônica, hidráulica, elétrica existentes impróprias; deterioração do mobiliário; e inexistência de condições de conforto e higiene para os trabalhadores também são explicitados.

Procurada pelo Jornal Opção, a comunicação do Hospital Materno Infantil informou que ainda não foi notificada.

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