Neste domingo, 4, mais de 158,7 milhões de brasileiros vão às urnas para o primeiro turno das eleições gerais, em um pleito que opõe, principalmente, segundo às pesquisas eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A votação começou às 8h e segue até as 17h, horário de Brasília, com apuração imediata após o fechamento das seções eleitorais. O segundo turno, se necessário, está marcado para 25 de outubro.

A eleição ocorre após uma campanha atípica, na qual o debate político foi ofuscado por uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) e pela interferência declarada dos Estados Unidos. As pesquisas de intenção de voto apontam uma disputa acirrada: o Datafolha divulgado na véspera indica 45% dos votos válidos para Lula e 42% para Flávio Bolsonaro, o que torna provável a realização de um segundo turno.

A crise no STF e o caso do Banco Master 

O protagonismo do Judiciário marcou toda a campanha. O caso Banco Master, que veio a público em novembro de 2025, envolveu negócios entre o fundador do banco, Daniel Vorcaro, e ministros do STF. Um dos casos mais polêmicos foi a revelação de que Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar a cinebiografia de seu pai, o que levou o senador a ser investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que mostrou trocas de mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes pouco antes da prisão do banqueiro, levantando suspeitas de que Moraes atuava para impedir ações da PF. A crise escalou a tal ponto que uma sessão televisionada em 15 de setembro terminou sem definição após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

A instabilidade contaminou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e afetou diretamente o calendário eleitoral. Decisões judiciais alteraram as regras do debate da TV Globo, previamente acordadas com os candidatos, o que levou a emissora a cancelar o confronto. Com isso, 2026 registrou o menor número de debates presidenciais desde 1998, e pela primeira vez em 20 anos o primeiro turno terminou sem confronto direto entre os primeiros colocados nas pesquisas.

Pressão americana e soberania nacional

As eleições também transcorrem sob a sombra da interferência dos Estados Unidos. Desde 2025, o governo de Donald Trump adotou uma série de medidas contra o Brasil, incluindo tarifas comerciais, sanções a autoridades brasileiras e a classificação de facções criminosas como grupos terroristas. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como crítico o risco de interferência americana no pleito.

Uma reportagem do The Guardian revelou que o governo americano destinou cerca de US$ 1 milhão a um projeto que financia grupos que contestam decisões do STF. Além disso, o Supremo tem em mãos um pedido de investigação sobre a participação do Fundo Rockbridge, fundado pelo vice-presidente americano JD Vance, na campanha de Flávio Bolsonaro. 

Além disso, o presidente Trump declarou publicamente que acompanha as eleições brasileiras “muito de perto”.

As estratégias das campanhas

Lula centrou sua campanha na defesa de seu legado social e na soberania nacional. Na reta final, anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, proibiu o funcionamento das bets e prometeu a incorporação de canetas emagrecedoras no SUS. 

Flávio Bolsonaro, por sua vez, apostou na segurança pública e na economia, temas prioritários para o eleitorado. O senador tentou se apresentar como linha no combate à violência e culpou o governo Lula pelo custo de vida elevado. Sua principal estratégia foi o apelo ao voto útil, buscando atrair eleitores de outros candidatos da direita contra o petista. 

Flávio também prometeu anistiar seu pai, Jair Bolsonaro, e outros envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 2022.

O que está em jogo 

Além da Presidência, os brasileiros elegem 513 deputados federais, dois terços do Senado, 54 senadores, 27 governadores e deputados estaduais. 

O presidente eleito em 2026 terá ainda o poder de indicar quatro ministros ao Supremo até 2030, nas vagas de Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso. A relação com os Estados Unidos também está em jogo: Flávio defende alinhamento com os americanos, enquanto Lula prega a manutenção da soberania nacional.

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