Squishies exigem cuidados no Dia das Crianças; pediatra alerta para riscos
08 outubro 2026 às 17h28

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Com formatos de frutas, doces, animais e outros personagens, os squishies conquistaram espaço entre as crianças e nas redes sociais. Feitos para serem apertados repetidamente, os brinquedos podem entrar na lista de presentes do Dia das Crianças, celebrado na segunda-feira, 12. A escolha, porém, exige cuidados que vão além da aparência: idade, procedência e estado de conservação são fatores essenciais para uma brincadeira segura.
Entre os menores, o principal risco está no hábito de levar objetos à boca e na possibilidade de engolir fragmentos que se desprendem do produto. Para as crianças maiores, a atenção também deve alcançar experiências vistas na internet, como cortar, perfurar ou aquecer o brinquedo.
O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicou um alerta sobre o uso inadequado desses produtos. O órgão orienta que os squishies não sejam colocados em micro-ondas, fornos ou outras fontes intensas de calor, nem tenham sua estrutura modificada. Também recomenda observar a indicação de idade e as informações de segurança.
Segundo o pediatra Luiz Antônio Torres, cooperado da Unimed Goiânia, os cuidados precisam acompanhar o desenvolvimento e o comportamento de cada criança. A mesma característica que torna o brinquedo atraente pode estimular formas de uso que oferecem riscos.
Formato de comida pode incentivar a criança a levar o brinquedo à boca
Nos primeiros anos de vida, a exploração dos objetos passa também pela boca. Por isso, cores, aromas e formatos semelhantes aos de alimentos merecem atenção dos responsáveis.
“Alguns squishies têm formato de doces, frutas ou pães e podem apresentar aromas adocicados ou artificiais. Para a criança pequena, essas características aumentam o interesse em levar o objeto à boca, morder ou tentar ingerir partes dele. Se houver desprendimento de pequenos fragmentos, existe risco de engasgo e obstrução das vias aéreas”, explica Torres.
O pediatra recomenda atenção especial às crianças menores de três anos e àquelas que, mesmo depois dessa idade, continuam colocando objetos na boca. A indicação presente na embalagem deve ser respeitada, e a supervisão precisa considerar tanto a idade quanto os hábitos da criança.
Isso significa que a escolha do presente não deve se basear apenas no interesse pelo personagem ou na popularidade do produto. Os responsáveis também precisam avaliar se o brinquedo é adequado à fase de desenvolvimento de quem vai recebê-lo.
Rasgos e vazamentos são sinais para interromper a brincadeira
A segurança não termina na compra. Apertar o brinquedo repetidamente exige que os adultos acompanhem suas condições e percebam eventuais alterações antes de permitir que a criança continue a utilizá-lo.
Rasgos, fissuras, partes soltas, desprendimento de tinta e vazamentos são sinais para retirar o produto de uso. O Inmetro também recomenda interromper a brincadeira quando a superfície estiver excessivamente pegajosa ou oleosa ou apresentar odor químico muito forte.
“O brinquedo danificado deve ser retirado imediatamente da criança. Dependendo da composição, o contato do conteúdo interno com a pele ou os olhos pode provocar irritação, vermelhidão, coceira ou ardência”, afirma o pediatra.
Como a composição pode variar entre os produtos, guardar a embalagem ajuda a identificar o material envolvido em uma eventual exposição. Fotografar o rótulo também pode facilitar a orientação dos profissionais de saúde.
“Se houver ingestão ou dúvida sobre a composição do produto, é importante guardar a embalagem ou fotografar o rótulo, porque essas informações podem auxiliar na orientação e no atendimento”, acrescenta.
Vídeos nas redes podem estimular experiências perigosas
Na idade escolar, o hábito de levar objetos à boca tende a diminuir, mas outros comportamentos passam a exigir atenção. A curiosidade e a reprodução de experiências vistas nas redes sociais podem levar a criança a utilizar o squishy de maneira diferente da prevista pelo fabricante.
“A partir da idade escolar, o risco de levar o brinquedo à boca diminui, mas podem surgir outras formas de uso inadequado, como cortar, perfurar ou aquecer o produto por curiosidade ou influência de vídeos”, alerta Torres.
Segundo ele, o calor pode alterar os materiais e aquecer o conteúdo interno. Cortes e perfurações, por sua vez, podem provocar vazamentos, liberar pequenos fragmentos e envolver o manuseio de objetos cortantes.
A orientação aos responsáveis é conversar sobre esses riscos e estabelecer regras claras. Explicar por que o brinquedo não deve ser aquecido ou aberto ajuda a criança a compreender os limites da brincadeira.
O diálogo também deve alcançar os conteúdos digitais. Uma experiência apresentada como divertida em um vídeo pode envolver riscos que não aparecem na gravação. Por isso, o pediatra recomenda orientar a criança a procurar um adulto quando tiver dúvidas sobre como utilizar o produto.
O que fazer se houver contato com o conteúdo interno
Se o material entrar em contato com a pele, Torres orienta lavar a região com água corrente e sabão neutro. Caso atinja os olhos, a recomendação do pediatra é lavar com água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 15 minutos, sem esfregar.
Em caso de ingestão, não se deve provocar vômito. A orientação é buscar ajuda especializada e manter disponíveis as informações da embalagem.
O Disque-Intoxicação, pelo telefone 0800 722 6001, oferece orientação gratuita à população e aos profissionais de saúde por meio da rede de centros de assistência toxicológica.
Segundo o pediatra, engasgo, tosse súbita ou persistente, dificuldade para respirar, alteração na coloração dos lábios e dificuldade para engolir exigem atendimento médico imediato. Vômitos repetidos, dor ou distensão abdominal e sonolência incomum também são sinais de alerta.
Cuidados começam antes de entregar o presente
Na hora da compra, os responsáveis devem verificar a faixa etária, as advertências, a identificação do fabricante ou importador e a presença do selo do Inmetro nos brinquedos sujeitos à certificação. O instituto também recomenda escolher estabelecimentos confiáveis e solicitar a nota fiscal.
Depois de abrir a embalagem, conhecer o produto e explicar as orientações de uso à criança são passos importantes. A inspeção deve continuar durante a brincadeira, especialmente se o material começar a apresentar desgaste.
“O mais importante é que os pais conheçam o brinquedo que estão oferecendo, respeitem a faixa etária indicada e acompanhem seu estado de conservação. Também é importante estabelecer regras simples de uso. A brincadeira pode fazer parte da rotina da criança, mas precisa acontecer de acordo com a idade e com as orientações de segurança”, conclui Torres.
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