Situação melindrosa da Enel faz com que mercado veja de forma arriscada investimentos no Estado

Avaliação é do presidente do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da Fieg, que vê no diálogo melhor solução para problemas com o fornecimento de energia

Foto: Divulgação/Fieg

O presidente do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Célio Eustáquio de Moura, avalia que toda a situação melindrosa em que se encontra a Enel Distribuição traz um ambiente de instabilidade jurídica para o mercado no Estado. Para ele, as empresas passam a ver de forma arriscada a possibilidade de investir em Goiás.

“Estamos preocupados com o ambiente de negócios, então é preciso ter certa cautela nessa discussão”, explica Eustáquio. Atualmente a Enel, que comprou a Celg D, é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa e corre risco de ter a concessão cassada.

Inclusive, nesta terça-feira, 6, o governador e deputados federais por Goiás iriam se reunir com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), para reivindicar tal medida. O argumento é de que o serviço prestado pela companhia não é satisfatório.

O presidente da Coinfra concorda que a distribuição de energia deve ser melhorada, mas não acredita que medidas tão drásticas sejam a solução mais viável neste momento. “Nos preocupamos, sim, com a inabilidade da Enel de resolver problemas pontuais, mas a substituição de uma empresa como essa é muito complicado e o cenário pode dificultar ainda mais”, avaliou.

“É preciso ter certa cautela nessa discussão”

Para ele, o mais adequado seria uma conversa com a empresa, dando a oportunidade para que se apresente o contraditório e, também, a solução para os problemas. “Porque, realmente, o setor produtivo está sentindo falta de energia. As máquinas não podem sofrer interrupção continuada. E isso é um problema muito grave, de difícil aceitação pelo Poder Público”, argumentou. 

“Não pode aceitar que a Enel sempre seja a última no ranking de empresas de fornecimento, por exemplo”, continuou. Mas caminhar para uma cassação não é vista por Eustáquio como o melhor caminho, porque pode inibir a possibilidade de vinda de novas empresas. 

“Não vemos com bons olhos a estatização”

“Nós não vemos com bons olhos a estatização, o retorno da empresa à administração pública. O Estado tem dificuldade de fazer a gerência de ativos, porque a administração é mais rígida e engessa mais. Enquanto a iniciativa privada tem toda a capacidade de investimento”, justificou.

Por esse motivo defende o diálogo como melhor alternativa. “Determinar um prazo, colocar o que precisa ser resolvido e, aí sim, quando não houver mais meios de resolver, pensar nessas medidas mais drásticas. Mas não sem antes estudar possibilidades e verificar qual é o mal. Conversando para que tenhamos um grau de resiliência”, apontou.

“Torço para que dê tudo certo, porque se trata de um insumo muito importante para o crescimento industrial e nós precisamos de uma energia que gere crescimento”, finalizou.

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