Sindicato acusa movimento de ocupações de trancar professores na UFG

Prédios da universidade foram liberados na última sexta-feira em ato simbólico, mas professores afirmam terem sido ameaçados e impedidos de deixar instituto

A ocupação da Universidade Federal de Goiás (UFG) teve fim nesta sexta-feira (18/11), mas não sem polêmica. Os estudantes promoveram um ato simbólico para marcar o encerramento do movimento e foram acusados pelo Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg) de “ameaçar e trancar professores numa sala”.

Em nota publicada no site da instituição, a Adufg repudia a ação que, segundo eles, foi tomada por alunos ligados ao movimento de ocupação e representa ameaça totalitária. “Ameaçar e trancar professores numa sala, seqüestrando seu direito de ir e vir, não pode ser confundido com liberdade de opinião e de manifestação. É um crime e seus agentes são criminosos.”

“A Adufg Sindicato, por sua estrutura plural e democrática, reitera nunca poderá ser braço ideológico de partido ou grupamento que não represente o pensamento da maioria de seus sindicalizados e se solidariza com os professores Reginaldo Nassar, Mariana Pires de Campos Teles e com a técnico-administrativa Tizuko Iwamoto Valadares e se coloca a disposição para apoiá-los nas ações que decidirem tomar em resgate de sua dignidade”, informa a nota.

Resposta

O Jornal Opção entrou em contato com o movimento e um dos estudantes, que não quis se identificar, negou a acusação e afirmou-se surpreso com a nota. “Foi a primeira vez que eu vi essa informação”, disse o aluno, que estava no ato de sexta-feira.

Segundo o movimento, os estudantes saíram do Centro de Aulas A e passaram por todas as faculdades que foram ocupadas, inclusive o Instituto de Ciências Biológicas (ICB). “Entramos no ICB, como fizemos em todos os lugares, e fomos para a sala do Reginaldo [Nassar, diretor do instituto] fazendo a crítica que costumávamos fazer, quanto ao fascismo dele e tudo mais”, contou o estudante.

“Ele foi quem ficou gritando de dentro da sala, quem se trancou foi ele, nós nem ficamos lá muito tempo”, esclareceu. Esta não é a primeira vez que Reginaldo e os manifestantes se estranharam.

Na última segunda-feira (14), Reginaldo tentou impedir que os estudantes entrassem no ICB e acabou expulso. Após o ocorrido, o professor acusou o movimento de ser neo-fascista e afirmou ter feito exame de corpo de delito, porque teria machucado o braço ao ser retirado da passagem pelos manifestantes.

Confira a nota da Adufg na íntegra:

A Diretoria da Adufg Sindicato esclarece aos seus sindicalizados e à comunidade universitária que repudia com veemência os atos realizados por estudantes ligados ao movimento de ocupação dos alunos na tarde desta sexta-feira, dia 18 de novembro, no Instituto de Ciência Biológicas (ICB) do Campus Samambaia. Nenhuma reivindicação ou ação política pode justificar um ato cuja natureza é truculenta e autoritária. Ameaçar e trancar professores numa sala, seqüestrando seu direito de ir e vir, não pode ser confundido com liberdade de opinião e de manifestação. É um crime e seus agentes são criminosos.

A mácula do totalitarismo tem acompanhado setores que atuam no movimento de ocupação desde o começo. Inicialmente como eventos isolados, mas multiplicando-se ao longo do tempo e trazendo intranquilidade e insegurança aos professores e aos próprios alunos.

A Universidade enquanto instituição plural e democrática não pode se omitir diante destes acontecimentos nem o próprio movimento dos alunos e seus apoiadores podem fingir que nada aconteceu. A UFG é uma realização conjunta de todos nós, um espaço livre e democrático de construção do conhecimento e deve ser defendida de seus detratores, estejam eles fora de suas fronteiras institucionais ou dentro.

A Adufg Sindicato, por sua estrutura plural e democrática, reitera nunca poderá ser braço ideológico de partido ou grupamento que não represente o pensamento da maioria de seus sindicalizados e se solidariza com os professores Reginaldo Nassar, Mariana Pires de Campos Teles e com a técnico-administrativa Tizuko Iwamoto Valadares e se coloca a disposição para apoiá-los nas ações que decidirem tomar em resgate de sua dignidade.

Diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás

Goiânia, 18 de novembro de 2016.

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