Uma discussão sobre o Estádio Serra Dourada durante o debate entre candidatos ao Governo de Goiás, realizado pela PUC TV no domingo, 30, trouxe novamente à tona um episódio registrado em 2019. Durante o confronto, Daniel Vilela (MDB) afirmou que uma estrutura clandestina para produção de bebidas havia sido encontrada nas dependências do estádio. Marconi Perillo (PSDB) contestou a declaração e classificou a afirmação como “conversa fiada”.

Registros publicados em 2019 mostram que uma estrutura suspeita de ser utilizada para armazenamento e engarrafamento irregular de bebidas foi, de fato, encontrada nas dependências do estádio. À época, o caso foi encaminhado para investigação.

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“Destilaria clandestina” estaria funcionando na geral do Serra Dourada — Foto: Reprodução

O assunto apareceu no debate durante a discussão sobre Esporte e Lazer. Marconi criticou a concessão do Complexo Serra Dourada à iniciativa privada e afirmou que o patrimônio teria sido entregue por um valor abaixo de seu potencial. Daniel respondeu que o estádio não foi vendido, mas concedido, e mencionou a situação encontrada no início de 2019, após o fim do governo tucano.

“O Serra Dourada, quando você entregou o governo, tinha uma fábrica clandestina de whisky lá dentro”, declarou Daniel.

Marconi reagiu e negou a acusação. “Não venha com essa conversa de fábrica de whisky, conversa fiada essa. Conversa para boi dormir”, afirmou.

A discussão repercutiu nas redes sociais e fez voltar à tona reportagens publicadas naquele ano sobre materiais encontrados dentro do Serra Dourada.

O que foi encontrado no estádio

Em março de 2019, uma vistoria realizada nas dependências do Serra Dourada identificou garrafas, tonéis, funis e outros materiais em uma área desativada do complexo.

Na época, o então secretário estadual de Esportes, Rafael Rahif, confirmou a descoberta. A suspeita era de que o espaço estivesse sendo utilizado não apenas para armazenar bebidas, mas também para realizar o engarrafamento irregular dos produtos.

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Garrafas e vários outros materiais foram encontrados no local — Foto: Reprodução

A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer informou, naquele momento, que havia encontrado um depósito de bebidas e que os indícios apontavam para a realização de engarrafamentos no local. O caso foi encaminhado à Polícia Civil para apuração.

Veja alguns noticiários da época:

Reportagem publicada pelo Globo Esporte na ocasião também mostrou a estrutura e tratou o espaço como uma possível “destilaria clandestina”.

Garrafas e vários outros materiais foram encontrados no local em 2019— Foto: Reprodução

Os registros da época, portanto, confirmam a descoberta de uma estrutura suspeita ligada a bebidas alcoólicas dentro do Serra Dourada. Isso, porém, não significa necessariamente que tenha sido comprovada a existência de uma “fábrica clandestina de whisky” nos termos utilizados por Daniel durante o debate.

Concessão também entrou no embate

A discussão sobre o episódio ocorreu enquanto os candidatos divergiam sobre o atual modelo de gestão do Complexo Serra Dourada.

Marconi questionou a concessão à iniciativa privada e criticou as condições do acordo. Daniel, por outro lado, defendeu o modelo e argumentou que o complexo precisava de investimentos para recuperar sua capacidade de receber grandes eventos.

“Não acontecia nada, estava caindo aos pedaços”, afirmou Daniel ao falar sobre as condições do estádio.

O candidato também defendeu que a participação da iniciativa privada permitirá a modernização do complexo e afirmou que o procedimento de concessão foi realizado por meio da Bolsa de Valores de São Paulo.

“Nós vamos seguir, sim, promovendo esse processo de modernização, trazendo a iniciativa [privada] para promover investimentos no estado. É dessa forma que a gente vê acontecer no mundo inteiro, nas grandes arenas esportivas, de entretenimento. Não tem absolutamente nada de errado”, declarou.

O episódio de 2019, que voltou ao centro da discussão eleitoral após a negativa de Marconi, ocorreu anos antes da atual concessão do Complexo Serra Dourada.

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