Senadores acusam fabricante de ivermectina, com sede em Anápolis, de ter lucrado à custa de vidas

Jailton Batista, diretor-executivo da Vitamedic, farmacêutica que produz o medicamento, afirmou não saber se defesa do uso do mesmo feita por Bolsonaro foi capaz de influenciar pessoas e aumentar as vendas do remédio

Jailton Batista, diretor-executivo da Vitamedic. | Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado.

Durante depoimento à CPI da Pandemia nesta quarta-feira, 11, de Jailton Batista, diretor-executivo da Vitamedic, senadores acusaram a farmacêutica que é fabricante da ivermectina de lucrar à custa de vidas perdidas para o coronavírus. O laboratório tem sede em Anápolis.

Jailton afirmou que não possuía todos os números de venda e faturamento do medicamento antes e depois da pandemia de covid-19 para apresentar aos senadores. No entanto, o diretor da Vitamedic admitiu que a venda de ivermectina aumentou mais de 3.000% de 2019 para 2020. 

Jailton também alegou não poder afirmar que discursos feitos pelo presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido), acerca da eficácia do medicamento contra o coronavírus – a qual nunca ficou comprovada – foram capazes de influenciar pessoas de todo o país, fazendo-as comprarem e usarem a ivermectina. Diante das afirmações feitas pelo depoente em questão, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que aquele era um dos depoimentos mais tristes já vistos na Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia. 

Jailton foi convocado a depor depois de José Alves Filho, o dono da Vitamedic, ter alegado que seria melhor que o diretor-executivo da farmacêutica fosse convocado para a CPI, uma vez que ele poderia dar mais informações sobre a administração das rotinas diárias praticadas na empresa. Jailton contou ainda durante seu depoimento que a Unialfa, empresa que também é de José Alves, havia patrocinado um manifesto da Associação Médicos pela Vida, o qual defendia o tratamento precoce por meio do chamado “kit covid”. 

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