Senador Canedo volta a ser alvo da Operação Carbono Oculto em nova fase da investigação
24 setembro 2026 às 09h49

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Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, voltou a ser alvo da Operação Carbono Oculto nesta quinta-feira, 24. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido no município durante a terceira fase da investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.
A nova etapa apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao setor de combustíveis. As diligências ocorrem em sete estados e também alcançam empresários e executivos ligados ao setor financeiro.
Ao todo, são 29 endereços de 24 empresas e 13 pessoas físicas submetidos a medidas de busca e apreensão. Além de Senador Canedo, há ações em municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso e Santa Catarina.
A presença de Senador Canedo na nova fase ocorre após o município já ter sido alvo de uma etapa anterior da operação. Em agosto de 2025, o Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Gaeco, cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em empresas relacionadas ao comércio, produção e distribuição de combustíveis na cidade. Na ocasião, a operação investigava um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor.
Investigação mira movimentação bilionária
Segundo o Ministério Público paulista, a nova fase busca esclarecer como estruturas comerciais e financeiras teriam sido utilizadas para ocultar os verdadeiros proprietários da Terrana, empresa do setor sucroalcooleiro que teria sido usada em operações envolvendo uma distribuidora de combustíveis.
Os investigadores apontam que empresas e fintechs teriam sido utilizadas para movimentar, fragmentar e ocultar recursos. Entre 2021 e 2025, o grupo investigado teria movimentado aproximadamente R$ 11,6 bilhões, segundo a investigação.
Um dos pontos analisados envolve cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios relacionados à Terrana. Os investigadores também identificaram uma operação de aproximadamente R$ 100 milhões, que teria passado por contas de empresas e fintechs antes de chegar à companhia.
A apuração busca verificar se essas operações teriam sido estruturadas para dar aparência de legalidade às transações e dificultar a identificação dos beneficiários dos recursos.
Alvos em diferentes estados
Entre os alvos desta fase estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos. O grupo Entre aparece entre as empresas envolvidas no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As medidas também atingem empresas e pessoas relacionadas às estruturas financeiras investigadas. Segundo a apuração, há suspeitas de utilização de investimentos de fachada e operações financeiras consideradas atípicas.
As investigações são conduzidas pelo Gaeco de São Paulo e pela Receita Federal, com participação de outros órgãos estaduais.
A apuração ainda está em andamento, e os alvos são investigados por sua eventual participação nas operações sob suspeita.


