O secretário de Defesa Social de Guapó, Hylário de Carvalho Mota, de 49 anos, é alvo de uma investigação da Polícia Civil após ser acusado de assédio sexual por uma estagiária de Direito, de 20 anos. Segundo o relato da jovem, o episódio mais grave teria ocorrido em 31 de julho, nas dependências da administração municipal.

A denúncia foi registrada em 7 de agosto. A Polícia Civil informou que o inquérito está em estágio avançado e deve ser concluído até o fim de agosto. Segundo a corporação, Hylário é investigado por importunação sexual e assédio sexual. Após o caso, ele foi afastado das funções pela Prefeitura de Guapó.

Em nota ao Jornal Opção, a defesa de Hylário afirmou que os fatos ainda estão em fase de investigação e que, devido ao sigilo do procedimento, não comentará detalhes do caso. Os advogados pediram cautela na divulgação das informações e ressaltaram que não devem ser feitas conclusões antecipadas sobre a acusação.

A defesa também afirmou confiar na apuração conduzida pelas autoridades e destacou o direito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.

Estagiária relata abordagem

Segundo a estagiária, Hylário teria se aproximado dela sob o argumento de que ensinaria um golpe conhecido como “mata-leão”. Ela afirma que o secretário passou o braço por seu corpo, segurou seu braço e tentou colocá-la contra uma parede.

“Ele falou: ‘Vem cá que eu te mostro’. Eu falei: ‘Não precisa’. Aí ele chegou e passou o braço. Eu disse: ‘Não, tá bom, pode parar, para’. Foi quando ele me virou, segurando no meu braço, segurou meu corpo contra o dele, querendo colocar meu corpo contra a parede”, relatou.

De acordo com a jovem, Hylário teria segurado sua cintura e sua nuca e pedido um beijo. Ela afirma que pediu diversas vezes para que ele parasse até conseguir empurrá-lo e se afastar.

Após o episódio, ainda segundo o relato, o secretário teria pedido desculpas. A jovem também afirmou que ele a abraçou sem autorização. “Ele me deu um abraço sem a minha permissão e eu fiquei paralisada”, contou.

Abordagens teriam começado antes

A estagiária afirmou que o comportamento que considera inadequado não teria começado no episódio de 31 de julho. Segundo ela, havia cerca de dois meses o secretário tentava se aproximar, sentando-se próximo à mesa onde ela trabalhava e tentando abraçá-la.

Inicialmente, a jovem contou à mãe o que estaria acontecendo, mas decidiu não registrar denúncia porque dependia da remuneração recebida pelo estágio. Após o episódio de 31 de julho, entretanto, afirma que ficou com medo de retornar ao trabalho. Posteriormente, procurou as autoridades e deixou o estágio na Prefeitura.

A jovem relatou ainda que passou a ter pesadelos relacionados ao episódio e que enfrenta comentários de moradores da cidade. “Já escutei que eu estou destruindo uma família. É como se nada tivesse acontecido, e só eu estivesse sofrendo”, afirmou.

Justiça proíbe contato com a estagiária

A Polícia Civil solicitou uma medida protetiva em favor da jovem. O pedido foi negado pela Justiça sob o entendimento de que não havia relação íntima, doméstica ou familiar entre os envolvidos.

Apesar da negativa, foi determinada uma medida cautelar que impede Hylário de manter contato com a estagiária durante a apuração do caso.

A investigação policial segue em andamento. A previsão informada pela Polícia Civil é de que o inquérito seja concluído até o fim de agosto.

Secretário é afastado pela Prefeitura

Após a denúncia, a Prefeitura de Guapó informou que abriu procedimento administrativo para apurar a conduta atribuída ao secretário. Hylário foi afastado das funções durante a apuração.

Segundo o município, a sindicância ou o processo disciplinar deverá reunir depoimentos e preservar eventuais provas, além de assegurar o contraditório e a ampla defesa. Por envolver a intimidade dos envolvidos, o procedimento tramita sob sigilo.

A Prefeitura afirmou ainda que mantém compromisso com o combate a qualquer forma de assédio, violência ou discriminação no serviço público e que permanece à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.

Vereadores cobram explicações

O caso também chegou à Câmara Municipal de Guapó. O vereador Donizett Paula Borges apresentou requerimento solicitando informações à administração municipal sobre as providências adotadas após a denúncia. O pedido foi aprovado pela Casa.

Durante a sessão, o parlamentar afirmou que a situação exige esclarecimentos por envolver o titular da pasta responsável pela Defesa Social do município.

“É de conhecimento de todos a possível denúncia feita envolvendo o secretário da pasta de Segurança do município, sobre possível assédio a uma funcionária. Então nós estamos aqui buscando informações da administração de todas as providências que ela tomou até o presente momento”, afirmou.

Donizett também defendeu que o afastamento tivesse ocorrido imediatamente após a administração tomar conhecimento da denúncia.

“No mínimo, o prefeito já deveria, de imediato, tendo conhecimento dos fatos, afastar o secretário”, disse.

Segundo o vereador, a medida serviria para preservar a administração municipal, a denunciante e o próprio secretário enquanto os fatos são investigados.

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