Secretário fala sobre as ações em Goiás para a retomada da atividade industrial

Ranking da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a Indústria goiana não avançou entre os anos de 2008 e 2018. Secretário Estadual da Retomada fala sobre ações de recuperação da indústria goiana

Na manhã desta segunda-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgou um dado, à princípio, desanimador para o Estado de Goiás: a indústria goiana ficou estagnada em uma década, entre 2008 e 2018, se mantendo na 9ª posição entre os estados mais industrializados do País. César Moura, secretário da Retomada do Governo do Estado falou ao Jornal Opção sobre as ações para buscar reverter o quadro e levar Goiás a uma maior projeção no setor das indústrias.  

Quais ações precisam ser adotadas para que haja um crescimento da indústria em Goiás? 

Algumas ações já estão sendo adotadas. Até mesmo porque o que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) nos trouxe hoje (17 de maio), é algo que nós já havíamos percebido em 2019. As taxas de desemprego dos últimos 10 anos já eram uma sinalização disso. 

Pode ser que dados consolidados demorem um pouco até serem divulgados. Mas essa comparação é a do biênio 2007/2017 e 2008/2018, não é?

Isso mesmo. O que podemos dizer sobre a divulgação desses dados, é que ao chegarmos aqui em 2019, nós começamos a fortalecer o cenário industrial goiano. O Governo do Estado trouxe várias indústrias desde o ano em questão. Foram 200 empresas que assinaram o protocolo de intenção, das quais 73 estão em fase de implantação e 23 já estão funcionando. O que nós fizemos quando iniciamos a retomada aqui em agosto de 2020, foi a criação de cursos de qualificação para essas empresas, visto que temos vagas no mercado goiano e o que falta é qualificação profissional. Nós focamos os nossos 17 colégios tecnológicos nas vagas de emprego disponíveis no mercado. Então hoje, o Mais Empregos acaba conversando com os colégios tecnológicos. Diante disso, nós temos tido bons resultados nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apesar da pandemia. Temos também aumentado o número de vagas disponíveis no Mais Empregos, com uma média de 5 mil funções disponíveis todos os meses. Reforçamos a qualificação profissional tanto em Goiânia quanto no interior. Fazemos ainda um curso de qualificação customizada para a empresa que decide vir para o nosso Estado, sem custos para a mesma, desde que ela contrate os profissionais de Goiás. 

Quais são os segmentos que mais demandam mão de obra? E quais são os que mais estão em falta?

Atualmente, o nosso curso com mais vagas é o de costureira, pois temos uma demanda muito forte para o corte e costura. Nós também temos dois problemas para enfrentar: a falta de mão de obra e a remuneração que o mercado dá. Precisamos qualificar as pessoas para que as empresas as remunerem melhor, porque se não, nós vamos formar novos profissionais de costura por exemplo, e eles vão migrar para outra profissão. Por isso nós estamos qualificando bastante as pessoas. 

Qual região tem mais demanda nas áreas de qualificação oferecidas?

A seleção dessas áreas está na grande Goiânia e na região de Rio Verde, por exemplo. Essas regiões demandam muita mão de obra e os salários delas geralmente são maiores. Outro trabalho que estamos fazendo é em parceria com o Senar, qualificando as pessoas para os grandes salários do setor do agronegócio. Hoje temos remunerações de R$ 2.500 para pessoas realizarem a poda de parreirais e de R$ 6.000 para operadores de colheitadeiras, por exemplo. Essa nossa postura começou a ser praticada a partir de uma provocação que nos foi feita no ano passado no Fórum Empresarial, se não me engano em uma fala da Adial, em que afirmaram que se houvesse qualificação profissional, todos os goianos estariam trabalhando. Diante disso, nós começamos a qualificar todo mundo.

Existe alguma ideia de ampliação dessa rede de ensino dos colégios tecnológicos?

Quando o governador lançou o Programa Mais Empregos, nós fizemos esses colégios chegarem em todos os municípios. Nós mandamos o curso para as salas disponíveis no município em questão, ou mandamos a nossa própria unidade móvel para o local.

Existem cursos voltados para a qualificação de pessoas para a área do e-commerce?

Sim, a escola do futuro nasceu pensando nesse mercado. Nós verificamos que existem cidadãos goianos que trabalham para empresas da Holanda em regime de home office, aqui mesmo de suas casas. Isso significa que o conhecimento dele está indo embora. Logo, precisamos atraí-lo para fazer com que ele use sua força de trabalho aqui no nosso estado. De 2019 para cá nós diminuímos o peso do incentivo fiscal e diminuímos a burocracia do processo para implantação de empresas em nosso território, fazendo com que a instalação de indústrias aqui em Goiás se torne mais atrativa. 

Com colaboração de Nathália Alves

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