Cadu ri em audiência sobre dois latrocínios

Durante interrogatório, Carlos Eduardo Sun­dfeld Nunes disse não se lembrar de ter cometido os crimes em Goiânia, no ano passado

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Entre um riso e outro, Cadu afirmou perante a juíza não se lembrar de ter cometido os crimes e por diversas vezes disse que não tinha “nada a declarar”| Foto: Aline Caetano

Ele entrou rindo na sala de Audiência de Instrução e Julgamento na 5ª Vara do Fórum Criminal, em Goiânia, onde foi interrogado. Carlos Eduardo Sun­dfeld Nunes, Cadu, ficou conhecido após ser condenado pelo homicídio do cartunista Glauco Vilas Boas e seu filho, Raoni, em março de 2010. Depois de ser diagnosticado com esquizofrenia e considerado inimputável, Cadu ficou internado em clínicas psiquiátricas e depois liberado para morar com o pai Carlos Grachi Nunes, em Goiânia.

No ano passado, Cadu teria voltado a matar e nesta terça-feira (25/8) foi interrogado por dois latrocínios cometidos em agosto de 2014, além de receptação e porte ilegal de arma. As vítimas foram Mateus Morais Pinheiro, de 21 anos, e o agente prisional Marcos Vinicius Lemes D’Abadia. A audiência teve início por volta das 9 horas e foi concluída às 11 horas.

A juíza Bianca Melo Cintra ouviu todos, antes da entrada de Cadu, que não respondeu as perguntas feitas. O réu, entre um riso e outro, afirmou não se lembrar de ter cometido os crimes e por diversas vezes disse que não tinha “nada a declarar”.

Foram ouvidas seis testemunhas, todas arroladas pela acusação, dentre elas a namorada de Mateus, Paula Fernanda Carvalho de Faria, e a mãe de Marcos, Darlene Fernandes d’Abadia. Também foi ouvido o Polícia Militar que prendeu Cadu no ano passado e o delegado Thiago Damasceno. (Com informações do TJGO)

Entenda o caso

Depois de confessar os assassinatos do cartunista Glaudo e o filho, Cadu foi diagnosticado com esquizofrenia e declarado inimputável pela Justiça Federal. O jovem não chegou a ser julgado e a ordem judicial para tratamento psiquiátrico ocorreu no Paraná, mas só foi cumprida em Goiânia, para onde Cadu foi transferido para ficar perto de seu pai, Carlos Grachi.

Após passar por várias clínicas na capital por dois anos, em agosto de 2013 Cadu foi liberado pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) para receber tratamento ambulatorial sem a necessidade de internação.

Como apurado na época, o coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Município, Sérgio Nunes, informou que o pai do jovem ligou ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial) em que Cadu era atendido no dia 26 de agosto informando uma alteração de comportamento no filho. Entretanto, o rapaz foi consultado e a equipe não constatou alteração alguma.

Um novo laudo feito pelo Instituto Médico Legal, e que consta nos autos do processo de Cadu, mostra avaliação de psiquiatras goianos Cadu apontando que não foram verificados indicadores de doença mental.

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Foto: Aline Caetano

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