Rodrigo Maia diz que Temer tem de convencer líderes sobre Previdência

Presidente da Câmara defende uma ação de esclarecimento com aliados sobre necessidade da reforma

Como era esperado, aumentaram muito as dificuldades para o presidente Michel Temer (PMDB-SP) continuar a agenda de votação das reformas, principalmente a da Previdência. Mesmo tendo vencido no mês passado a batalha da segunda denúncia da Procuradoria Geral contra ele, desta vez por obstrução de justiça e organização criminosa, barrando a investigação, o poder de fogo do peemedebista com sua base no Congresso foi prejudicado.

Nesta terça-feira (7/11), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deixou clara a fragilidade de Temer, voltando a defender que o presidente converse com os líderes partidários para convencê-los sobre a reforma da Previdência. Pessoalmente, Maia se coloca favorável à reforma, que julga necessária para evitar o aumento da dívida pública, mas diz que que não dá para ser tão otimista, porque o tema é polêmico.

“[Acho que] O presidente deve chamar seus líderes dos partidos, individualmente, e tentar mais uma conversa de forma bem tranquila, mostrando qual é o impacto da não realização da [reforma da] Previdência já em 2018. A despesa da Previdência está crescendo R$ 50 bilhões, R$ 60 bilhões por ano, e isso vai tornar o Brasil inviável em pouco tempo. Nós vamos caminhar para uma relação dívida – PIB bruto insustentável”, disse, conforme reportagem da Agência Brasil.A reforma está paralisada desde junho.

Rodrigo Maia sinalizou que apoia o avanço da proposta de forma reduzida, por meio de projeto de lei ou outra proposição que necessite de menos votos. Por se tratar de uma emenda constitucional, a proposta que altera as regras de acesso à aposentadoria precisa de pelo menos 308 votos entre os 513 deputados para ser aprovada. A votação deve ocorrer em dois turnos.

Na segunda-feira, Temer admitiu pela primeira vez, a possibilidade de uma derrota do governo ao tentar aprovar a proposta. Mas nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo não vai recuar na reforma da Previdência e acredita que há a possibilidade de aprovação do texto ainda este ano.

Meirelles avalia que a declaração do presidente Michel Temer foi um reconhecimento da dificuldade da reforma, que é tema controverso não apenas no Brasil, mas no resto do mundo.

O ministro afirmou que o ideal é aprovar o texto ainda este ano, mas se não for possível, o governo vai tentar no ano que vem. Salientou também que o número de dias úteis este ano é limitado, mas vê chances de aprovação. “Idealmente deve ser votada este ano e vários líderes estão dispostos a trabalhar nessa direção”, afirmou.

Meirelles ressaltou que o governo tem enfatizado aos parlamentares que a reforma da Previdência não é uma questão de escolha, mas uma questão fiscal. “Ela terá que ser feita em algum momento”, disse ele, observando que se não for aprovada neste governo, será primeiro desafio do próximo presidente.

Ele afirmou que o crescimento das despesas com Previdência no Brasil é insustentável e que, sem reformas, o pagamento de aposentadorias e benefícios vai ocupar 80% do Orçamento Federal, deixando o governo sem espaço para outros gastos. “A reforma visa a preservar a capacidade do País de ter o governo funcionando”, disse Meirelles.

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