Retomada de financiamento privado é improvável, avaliam deputados goianos

Para Fábio Sousa (PSDB), Magda Mofatto (PR) e Giuseppe Vecci (PSDB), aprovar a proposta até setembro não deve ser possível e o ideal é que debate fosse aprofundado

Para deputados, aprovar um fundo público em tempos de crise é proposta absurda. Financiamento privado divide opiniões | Fotos: Luis Macedo, Gabriela Korossy e Lúcio Bernardo Jr/ Câmara

Um dos temas mais debatidos dentro da reforma política é a de como serão financiadas as campanhas a partir das eleições de 2018. O financiamento privado foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015, mas alguns deputados federais estariam avaliando uma maneira de retomá-lo já para 2018.

Na bancada goiana, entretanto, a proposta não deve ter muitas chances de prosperar ainda este ano. Ouvidos pelo Jornal Opção, Fábio Sousa (PSDB), Magda Mofatto (PR) e Giuseppe Vecci (PSDB) avaliaram que a retomada do financiamento privado dificilmente seria aprovada até setembro, prazo máximo para valer no ano que vem.

Além disso, opinam Fábio e Vecci, um dos problemas da retomada do financiamento privado é que uma proposta do tipo não deveria ser discutida com tanta pressa. Para valer já em 2018, a matéria deveria ser aprovada até o final de setembro. “O grande detalhe é ter que fazer isso na correria, ficou aí anos e anos discutindo e vai aprovar assim?”, questiona Vecci.

Agora, para Vecci,é momento de debater ideias para criar um sistema mais adequado aos anseios da população. “Financiamento privado é ruim, porque deu no que deu. O público, vai tirar dos cofres públicos para financiar políticos, pessoas físicas também têm que ter regras, enfim, está uma usina de ideias, não tem um caminho certo”, afirmou.

Para Fabio Sousa, o ideal é, na verdade, manter apenas o fundo partidário para financiamento. “Está de bom tamanho e acho que o financiamento privado ficou muito demonizado. Se houvesse regras, como a de quem doar, ou o grupo econômico dele, não poder participar de licitação e não só ele, mas para as eleições do ano que vem, não dá.”

Entre os três, apenas Magda defendeu o financiamento privado que, para ela, deve ser aliado ao particular. A exigência, destaca ela, é que todos os repasses sejam feitos com regras rígidas para evitar Caixa 2 e corrupção. Questionada sobre se esta maneira de financiamento não facilitava demais para que as empresas tivessem seus interesses defendidos pelos políticos, a deputada avalia que este processo é natural.

“É normal nós ajudarmos segmentos, nós já os defendemos com ou sem financiamento, porque somos nós que fazemos as leis que beneficiam ou prejudicam os setores”, pontuou ela. “Exemplo: eu  sou contra radicalmente contra o desarmamento. Se alguém falar que as indústrias armamentistas me deram um tostão, eu dou um pulo.”

Fundo público de financiamento

Outra proposta polêmica sobre o assunto foi a criação de um fundo público de financiamento estimado inicialmente em R$ 3,6 bilhões. Para os parlamentares, a proposta desrespeita a população e não terá os votos de nenhum deles.

“O que eu acho muito errado é o financiamento público de campanha em um país que está com problemas financeiros, querendo fazer reforma previdenciária, tributária. O projeto é vergonhoso. Eu teria vergonha de fazer campanha com dinheiro público quando a saúde está do jeito que está, a educação do jeito que está”, criticou Magda.

Fabio endossa o coro: “Sou radicalmente contra, é um escárnio com a população. O Congresso aprova Teto de Gastos, corte de despesas, reformas, reformar o estado e se fala de usar dinheiro público em campanha?”. “Até o financiamento próprio você tem que regulamentar, porque tem deputados bilionários, por exemplo.”

 

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