Reduzir caminhões de lixo não é solução para crise financeira de Goiânia

Prefeitura da capital, por meio da Comurg, alega que retirada de sete veículos terceirizados reduz gastos. Valor mensal é estimado em 217 mil reais

Paulo Garcia promete reforma administrativa, mas começa com cortes duvidosos | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Paulo Garcia promete reforma administrativa, mas começa com cortes duvidosos | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Em agosto de 2014 o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, dizia que iria entregar a prefeitura de Goiânia “um brinco” para o seu sucessor. As tentativas foram muitas e as mais relevantes foram derrotadas na Câmara de Vereadores.

Uma nova reforma administrativa está sendo formatada na tentativa de ajustar as contas do Paço Municipal. E a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) é um dos principais alvos de cortes. A empresa pública reduziu o número de caminhões terceirizados que faz a coleta de lixo na capital.

Antes com 71 caminhões, a Comurg conta agora com 64 carros, sendo que 40 deles integram a frota desde outubro de 2014. Os sete retirados de circulação são da TecPav Tecnologia e Pavimentação.

O Jornal Opção Online consultou a pasta para saber qual seria a economia e, de acordo com a assessoria de imprensa, o presidente Ormando José Pires anunciou que a retirada dos sete caminhões resultará em uma redução de 210 mil reais por mês à prefeitura — R$ 31 mil por caminhão.

A intenção do Poder Executivo é ótima, mas há nove meses Goiânia registrava o início de uma crise na coleta que a capital ainda parece padecer. A empresa garante que o acúmulo de resíduos não vai voltar, como no ano passado.

E os resultados das falhas no recolhimento prejudicaram não só a população, mas também a imagem de Paulo Garcia. Críticas vindas de vereadores de sua base — chegaram a chama-lo de “almofadinha” — e visitas pessoais dos parlamentares à sede da empresa, princípio de greve de varredores, a constatação de funcionários fantasmas e a troca da cúpula da Comurg no pico da crise foram fatos que esquentaram a cabeça do prefeito.

Sem contar o vai e vem entre a prefeitura e o governo estadual, que prometeu repassar R$ 5,8 milhões para a compra de novos 23 caminhões compactadores de lixo. A contrapartida do município seria de R$ 200 mil.

O petista até tentou converter o desgaste aparecendo em foto em que ajuda a recolher lixo, mas sem luvas. O goianiense contribuinte espera que a reforma político-administrativa pensada por Paulo Garcia vá além de promessas e, efetivamente, enxugue a máquina.

No pico da cris, Paulo Garcia recolhe lixo | Foto: Reprodução

No pico da crise, Paulo Garcia recolhe lixo sem luvas | Foto: Reprodução

Pois se o projeto não sair do papel, poderá retornar às lixeiras. E o susto será grande. Afinal, 2015 é ano pré-eleitoral. Mesmo que o prefeito esteja impossibilitado de disputar a reeleição, a imagem de mau gestor deve ficar atrelada ao PT e aliados.

Tempo hábil existe para reorganizar a situação financeira e aplicar o dinheiro da maneira correta. Do contrário, o brinco que o prefeito prometeu repassar ao próximo administrador poderá inflamar, um pouco mais, a história petista na gestão da capital do Estado.

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marcos

sou morador de goiania a mais de 20 anos ate hoje nunca vi um prefeito tao ruin quanto esse goiania pede socorro.