Rede pede que julgamento de Cunha seja antecipado

Para parlamentares, votação que analisa cassação do ex-presidente da Câmara só foi marcada para depois do impeachment por medo de que peemedebista faça delação

"O que é que Cunha sabe para deixar tanta gente com medo?", questiona Alessandro Molon | Foto: Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

“O que é que Cunha sabe para deixar tanta gente com medo?”, questiona Alessandro Molon | Foto: Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

O deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ) anunciou nesta quinta-feira (11/8) que seu partido irá entrar com um requerimento na próxima sessão deliberativa para que a votação da cassação de Eduardo Cunha (PDMB-RJ) seja feita já na segunda-feira (15). Na quarta-feira (10), o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) decidiu marcar a sessão que vota a situação de Cunha para o dia 12 de setembro.

A data foi muito criticada na Casa. Além de cair numa segunda-feira, é posterior à conclusão do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), o que foi visto por parlamentares contrários a Cunha como uma manobra. Para Molon, a escolha foi feita por medo de que o ex-presidente da Câmara faça uma delação premiada que comprometa a condenação da petista.

“Esse adiamento mostra que o Planalto e boa parte da Câmara têm medo do que Eduardo Cunha pode vir a delatar caso seja cassado antes do fim do processo do impeachment no Senado”, defendeu. “Isso é um sinal muito ruim, afinal de contas, o que é que ele sabe que coloca medo em tanta gente poderosa?”, provocou ele.

Pressionado tanto por oposicionistas quanto por aliados de Cunha, Maia disse que sua decisão se baseou na média histórica de processos parecidos. Ele argumentou ainda que, como a próxima semana marca o início do período eleitoral, não haverá atividades na Câmara. Na outra, já será realizada a votação do impeachment.

Depois, Maia assume a Presidência do Brasil enquanto o presidente interino Michel Temer (PMDB) viaja para a reunião do G-20 na China. Por fim, na semana de 7 de setembro, há o feriado. Embora o líder do governo na Câmara, deputado André Moura (PSC-CE) defenda que não há orientação do Planalto quanto ao tema, as expectativas de Temer teriam sido supridas com a data.

O processo contra Cunha só foi lido no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara na última segunda-feira (8). A partir de então, seriam necessárias duas sessões ordinárias para que o projeto pudesse entrar na Ordem do Dia. Ele não tem força para trancar outras pautas, mas, ainda assim, tem prioridade e poderia ser analisado antes da data fixada.

Processo

Cunha é acusado de mentir em depoimento à CPI da Petrobras, quando disse que não tinha contas no exterior. Uma investigação do Ministério Público da Suíça, no entanto, revelou recursos não declarados no nome do deputado, de sua mulher e de sua filha.

Ele foi afastado da Presidência da Câmara em maio deste ano por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e, em julho, decidiu renunciar ao posto. O processo contra ele só foi lido na última segunda-feira (8). Para que seu mandato de deputado federal seja cassado, são necessários 257 votos no plenário.

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