“Queremos mostrar aos filiados que o dinheiro deles está sendo, de fato, aplicado”

Reeleito com 97% dos votos para ocupar a presidência do SindiGoiânia, Ronaldo Gonzaga garante um mandato pautado pela transparência e inovação

Ronaldo Gonzaga: “Nós assumimos o sindicato numa situação deplorável” I Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Reeleito para o cargo de presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Goiânia (SindiGoiânia) na sexta-feira, 1°, Ronaldo Gonzaga, teve sua candidatura consolidada com 97% dos votos. Destinado a comandar os mais de 8 mil servidores filiados ao sindicato, Gonzaga pretende intensificar os trabalhos em prol da categoria ao longo dos próximos quatro anos de mandato.

Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente ressaltou que pretende trabalhar de maneira inovadora e transparente. Dentre as ações que serão empenhadas por ele estão: a ampliação e aperfeiçoamento do centro médico, que atualmente atende onze diferentes especialidades; a reformulação de todos os planos de carreira das categorias defasadas e também a construção do hospital do servidor público, que poderá garantir atendimento aos mais de 50 mil servidores do município.

Ao lado do diretor financeiro do sindicato, Adão Câmara — conhecido pelos sindicalistas como professor Adão —, Ronaldo relembrou o início de sua trajetória no sindicalismo, explicou o processo de construção que o levou a conquistar tamanha aceitação da classe trabalhadora e, por fim, enumerou os avanços alcançados pelo SindiGoiânia ao longo dos últimos anos.

Felipe Cardoso: O sr. recebeu 520 votos e teve sua candidatura consolidada com 97% de aceitação. De que maneira o sr. trabalhou para obter esse resultado?

Ronaldo Gonzaga: Nós assumimos o sindicato numa situação deplorável, onde todos chegaram a ser chamados até de ladrão. Com o tempo fomos mostrando, por meio de muito trabalho, os primeiros resultados. Uma das primeiras ações que fizemos foi mandar mais de 28 funcionários embora.

Adão Câmara: A folha estava inchada e haviam muitas coisas indevidas.

Ronaldo: Hoje, por determinação minha e da diretoria, não aceitamos mais parentes de diretores dentro do sindicato. Penso que nós temos a obrigação de dar o exemplo. Por isso é que fizemos esse corte na folha.

A princípio tivemos uma desfiliação enorme por conta dos escândalos, com razão, pois a direção anterior foi acusada de desviar mais de 26 milhões. Para se ter uma ideia, hoje, se vendermos o patrimônio milionário do sindicato, ainda assim não conseguiremos pagar. Estamos devendo aproximadamente R$ 7 milhões. Só em dívidas trabalhistas que tivemos que pagar foram mais de R$ 1 milhão.

Criamos um centro médico que oferece atendimento em onze diferentes especialidades. Temos ambulância à disposição, assessoria jurídica, assistência funerária para os trabalhadores, cursos superiores de graduação e pós graduação. Tudo isso de graça para o servidor que paga sua contribuição mensal. Quanto ao lazer, temos uma pousada em Aruanã, um clube no Parque Amazonas de um alqueire e meio e uma estrutura gigantesca.

Felipe Cardoso: Atualmente o sindicato conta com quantos servidores filiados?

O SindGoiânia é o maior sindicato do Estado. Atualmente são 8 mil servidores filiados. Temos um patrimônio milionário, porém herdamos uma dívida milionária também.

Mayara Carvalho: Como os srs. avaliam a medida provisória adotada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL)?

Adão Câmara: A nova lei trabalhista extinguiu a compulsoriedade do imposto sindical. A pessoa tem que autorizar a cobrança que é um dia de trabalho anual. O Bolsonaro, através dessa medida, diz que os sindicatos terão que receber a contribuição por meio de pagamento de boleto e não mais em folha, mesmo havendo autorização individual para isso. Se colocar em boleto ninguém irá pagar. Essa é a mudança. Agora ele sacramentou a questão da contribuição com imposto sindical.

Adão Câmara: “Não iremos trabalhar só a questão dos direitos do trabalhadores, é preciso entender que esses servidores possuem uma vida lá fora” I Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Ronaldo Gonzaga: E ele fez outra coisa também. A nível federal, colocou que a contribuição social, que é essa que nós recebemos mensalmente, o servidor federal vai fazer já por boleto, o que é inconstitucional. Já consultamos alguns advogados que disseram que essa determinação irá cair. Várias entidades já estão questionando essa medida.

Com isso, o presidente quer enfraquecer as entidades sindicais, e já enfraqueceu com o final das contribuições das centrais sindicais que não arrecadam mais. Agora eles estão questionando a questão da estabilidade dos servidores públicos. Se não tiverem sindicatos para os defender o que vai acontecer? vai passar. E está subentendido que é isso que o governo federal quer. Estão tentando enfraquecer as entidades sindicais e fazerem o que quiserem com o servidores públicos.

Mayara Carvalho: Sobre a cobrança compulsória, qual seria então o seu posicionamento?

Ronaldo Gonzaga: Sou contra a cobrança compulsória do imposto sindical. Não é justo descontar automaticamente. O trabalhador tem que querer. E tinham muitos sindicatos sobrevivendo com essa verba anual. Essa contribuição sindical ajuda muito se for utilizada com responsabilidade. Portanto, sou contra a cobrança compulsória. Sou contrário também a medida do presidente. Vejo que ele terminou de jogar uma pá de cal.

Felipe Cardoso: Um dos objetivos de seu mandato é viabilizar a construção de um Hospital dos Servidores Públicos de Goiânia. De que maneira o sr. pretende se movimentar para atingir esse objetivo?

Ronaldo Gonzaga: Nosso sonho seria criar também um CMEI para os servidores públicos, investir no nosso centro médico, criar esse hospital, montar uma mega estrutura. Só que hoje não há como fazer isso só com a contribuição social. É importante esclarecer que a construção do hospital não é um compromisso de campanha pois não depende só de nós.

De qualquer forma, nós iremos providenciar e encaminhar um ofício ao presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo (Pros), solicitando a construção do Hospital do Servidor Público Municipal. Vamos pedir ao Legislativo que leve até o Executivo essa nossa solicitação. Nós temos cerca de 50 mil servidores públicos municipais em Goiânia. Imagine se esses 50 mil pararem de usar os CAIs. Isso desafogaria a rede pública de saúde.

Felipe Cardoso: O sindicato espera contar com o apoio da Câmara para articular junto ao prefeito a construção desse hospital. Mas a relação da Câmara com o Executivo anda desgastada. Como o sr. imagina que isso possa se desenrolar ?

Ronaldo Gonzaga: Imagino que por se tratar de um benefício para o servidor público não teremos problemas para aprovar essa ideia. Penso que teremos uma relação tranquila. Tem o pessoal da base na Câmara também. Então não acredito que haverão problemas com o Executivo.

Adão Câmara: Um bom exemplo disso é o da categoria de procuradores da prefeitura. Eles não tinham plano de carreira. Quem fez a articulação para viabilizar isso foi o vereador Romário Policarpo com a nossa ajuda. Ele abraçou a causa que passou sem nenhuma restrição. Foi uma conquista conjunta do sindicato e da Câmara Municipal. Evidentemente, temos que sentar com o Executivo, mas não vejo possibilidade de conflitos.

Felipe Cardoso: A construção de um hospital demanda tempo. Como o sr. pretende lidar com esses prazos dentro do seus quatro anos de mandato?

Ronaldo Gonzaga: Dependeremos da aceitação do prefeito. Sabemos que dentro deste mandato ele não conseguirá entregar. Mas se ele aceitar fazer, para nós seria uma grande vitória. Enquanto articulamos isso com a Câmara Municipal pretendemos melhorar nosso centro médico. Hoje, atendemos onze diferentes especialidades, mas estamos trabalhando para chegarmos a quinze. Queremos contar também com a presença de psiquiatras, ortopedistas, geriatras e outros profissionais. Nossa diretoria quer investir nisso. Queremos servir. Poder ajudar o próximo, um colega de serviço, é algo gratificante.  

Mayara Carvalho: O sr. falou sobre o centro médico que pertence ao sindicato. Uma vez prestando esse serviço vocês acabam abraçando uma responsabilidade que é da prefeitura. Por que isso?

Adão Câmara: Quando você me pergunta se a prefeitura não faz, a resposta é: deveria. Mas, qual o objetivo do sindicato com isso? É trazer bem-estar para o seu servidor. Não iremos trabalhar só a questão dos direitos do trabalhadores, é preciso entender que esses servidores possuem uma vida lá fora. Então precisamos trabalhar também com questões ligadas a saúde do trabalhador, ao lazer e outras áreas importantes.

Mayara Carvalho: Quando falamos em sindicatos nos remetemos a defesa dos direitos dos trabalhadores. Qual seria a principal demanda dos servidores públicos municipais hoje?

Ronaldo Gonzaga: Estamos trabalhando nela, inclusive. Trata-se da reformulação do plano de carreira de todas as categorias. Os planos estão defasados. Está bem avançada a reformulação do plano de carreira dos servidores do setor administrativo da prefeitura. Não é a maior categoria, mas é a pior delas. São servidores que trabalham ganhando basicamente um salário mínimo.

Estamos reformulando o plano de carreira desse pessoal para que se aumente a carga horária em duas horas. Eles trabalham seis horas atualmente e estamos passando para oito horas de serviço, porém, o salário desse pessoal irá dobrar ou aumentar em até mais do que isso. Temos 50 mil servidores hoje. A prefeitura não precisa de mais do que isso. O que precisamos é que a mão de obra seja melhor aproveitada. Com isso, a prefeitura não precisará gastar com novos concursos. Essa será a primeira reformulação do plano de carreira, depois passaremos para a saúde, educação, guarda civíl e outros.

Entrevista conduzida pelos jornalistas Felipe Cardoso e Mayara Carvalho I Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Felipe Cardoso: E como esses servidores têm recebido a informação de que a jornada de trabalho irá aumentar em duas horas?

Adão Câmara: É opcional. A pessoa poderá optar em migrar para esse plano. Se ela não quiser, poderá continuar da maneira que está.

Mayara Carvalho: Temos recebido muitas reclamações em relação às progressões. Como anda essa questão?

Ronaldo Gonzaga: Eu já estive com o prefeito, inclusive várias das progressões que estão sendo pagas no momento fomos nós que conseguimos. Quanto ao pessoal da saúde já estão sendo pagas. Mas não tem como pagar de uma vez. É um processo que está em andamento. Eles continuarão recebendo gradativamente.

Adão Câmara: O problema das progressões é que, ao longo dos anos, o governo deixou acumular, e não foi por falta de cobrança. Chegaram aos 14 mil processos parados. E de uma vez ninguém consegue pagar. Então, aos poucos, temos visto as publicações no Diário Oficial.  

Ronaldo Gonzaga: Quanto a folha vencerá em maio, já fizemos um compromisso com o secretário de finanças e com o secretário de governo. Ambos se comprometeram a pagar. O que ficou para trás, foi parcelado e está sendo cumprido. A única coisa que o prefeito não cumpriu foi com o piso dos professores de 2018, mas estamos cobrando.

Felipe Cardoso:  Existe alguma meta a ser cumprida em relação ao número de sindicalistas?

Ronaldo Gonzaga: Uma das nossas é chegar aos 15 mil filiados ao final do nosso mandato. para este ano temos uma meta de 1.500.

Felipe Cardoso: Há alguma estratégia para se chegar a esse número?

Ronaldo Gonzaga: Essa reformulação do plano de carreira do setor administrativo creio que irá contribuir na atração de muitos filiados.

Felipe Cardoso: O sr. é filho da gestão do ex-presidente do SindiGoiânia, Romário Policarpo, e teve a inovação como uma de suas principais bandeiras nesta eleição. Quais atitudes poderão garantir a consolidação dessa promessa de campanha?

Adão: A inovação já veio com o Policarpo. Na gestão dele nós criamos o centro médico, estabelecemos prestação de contas à Justiça do Trabalho, Justiça Federal e Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Já estávamos naquela época, e ainda estamos, cercados por todos os lados. A inovação virá por meio dos mecanismos de transparência que mostrarão ao filiado que seu dinheiro está sendo aplicado de forma correta. Com isso, fizemos uma grande reforma no nosso clube que estava um verdadeiro caos.

Quanto a nossa sede, ela estava toda detonada e, mesmo sem poder, fizemos uma reforma significativa. Ou seja, o que sobra nós investimos. Esta é a inovação. Queremos mostrar aos filiados que o dinheiro deles está sendo, de fato, aplicado. Temos a obrigação de mostrar para onde esses valores estão indo. A partir da gestão do Policarpo, crescemos em mais de 1.800 filiações. Diante disso o povo começa a acreditar no nosso trabalho e a voltar para o sindicato.

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