Perder alguns fios de cabelo diariamente faz parte do ciclo natural dos cabelos. O alerta começa quando a queda foge do padrão habitual, com aumento perceptível da quantidade de fios, redução do volume, afinamento ou surgimento de falhas no couro cabeludo.

Nesses casos, a causa pode estar relacionada a diferentes tipos de alopecia, que possuem características e tratamentos distintos. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a perda diária pode ficar, em média, entre 100 e 200 fios, embora haja variações individuais.

Por isso, mais do que contar os fios que caem, o principal é perceber se houve uma mudança em relação ao padrão habitual. Entre as causas estão a alopecia androgenética, conhecida como calvície, a alopecia areata e o eflúvio telógeno. Para o dermatologista especializado em tricologia e implante capilar Domingos Sávio Coelho, identificar a origem do problema é o primeiro passo para definir a conduta.

“Existem vários tipos de alopecia, e é isso que a gente precisa estudar e averiguar para fazer o melhor tratamento possível”, afirma. A alopecia androgenética é uma das formas mais conhecidas de queda capilar. Influenciada principalmente por fatores genéticos e hormonais, ela provoca uma miniaturização progressiva dos folículos.

Os fios passam a nascer mais finos e curtos, enquanto a densidade diminui gradualmente. A condição não se restringe aos homens. Nas mulheres, um dos sinais mais comuns é a redução progressiva da densidade na parte superior da cabeça, deixando o couro cabeludo mais aparente.

A alopecia areata, por outro lado, tem origem autoimune. Nesse caso, o sistema imunológico ataca os folículos pilosos. De acordo com a SBD, a doença atinge cerca de 2% da população mundial e pode surgir em diferentes fases da vida. A queda costuma ocorrer de forma repentina e pode provocar áreas bem delimitadas sem cabelo ou pelos.

Nos casos mais extensos, pode haver perda de todos os cabelos, quadro denominado alopecia areata total. Quando a perda atinge os pelos de todo o corpo, recebe o nome de alopecia areata universal. A evolução também é variável. O cabelo pode voltar a crescer em determinada região e, posteriormente, uma nova crise provocar outra perda.

Estresse pode estar relacionado, mas não explica todos os casos

Períodos de estresse podem funcionar como gatilho para alguns quadros de queda, mas não devem ser considerados automaticamente a causa. Na alopecia areata, por exemplo, o estresse pode contribuir para o surgimento de uma crise, assim como infecções e outras alterações relacionadas ao sistema imunológico.

A doença, entretanto, não deve ser reduzida a um problema emocional. Outra condição é o eflúvio telógeno, caracterizado pelo aumento significativo da quantidade de fios que entram simultaneamente na fase de queda. O problema pode aparecer alguns meses depois de situações como infecções, febre alta, parto, cirurgias, dietas muito restritivas, doenças metabólicas e períodos de estresse.

A variedade de possíveis causas reforça a necessidade de investigação antes da escolha de um tratamento. Relatos de figuras públicas também contribuíram para aumentar a atenção sobre diferentes formas de alopecia. A influenciadora Virgínia Fonseca revelou em abril deste ano que voltou a apresentar alopecia areata, condição que já havia enfrentado anteriormente.

A cantora Maiara, da dupla com Maraisa, também falou publicamente sobre o diagnóstico de alopecia androgenética. Apesar de ambas as condições serem classificadas como alopecias, suas causas e características são diferentes. Maiara é paciente de Domingos Coelho. Segundo o dermatologista, no caso da cantora há predisposição hereditária para a alopecia androgenética.

“Existe um quadro genético na família que leva essa alopecia androgenética”, explica. A presença de alguns fios na escova ou durante o banho, isoladamente, não significa necessariamente que exista uma doença. Já mudanças persistentes no padrão de queda podem indicar a necessidade de avaliação médica. Entre os sinais de atenção estão:

  • aumento perceptível da queda;
  • presença de tufos de cabelo no banho ou no travesseiro;
  • redução do volume;
  • afinamento progressivo dos fios;
  • surgimento de falhas no couro cabeludo;
  • aumento das entradas;
  • maior exposição do couro cabeludo.

A recomendação é evitar o uso de medicamentos, vitaminas, loções ou procedimentos por conta própria. Um produto que funcionou para outra pessoa pode não ser adequado para uma causa diferente de queda. O tratamento varia conforme o tipo de alopecia, a intensidade da perda, o estágio do quadro e as características de cada paciente.

A queda de cabelo também pode afetar a autoestima e a percepção que a pessoa tem da própria imagem. Em quadros de evolução rápida ou com grandes áreas de perda, o impacto pode alcançar a vida social e emocional. O cabelo ocupa, para muitas pessoas, um papel importante na identidade e na aparência.

Por isso, a alopecia pode estar associada a insegurança e sofrimento emocional. A investigação, portanto, não deve se limitar à quantidade de fios que estão caindo. O histórico do paciente, o padrão da perda e as características dos fios ajudam a determinar a origem do problema e a estratégia de tratamento.

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