Jejum pode ser dispensado na maioria dos exames de sangue de rotina, aponta estudo
07 outubro 2026 às 19h00

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O tradicional jejum antes de exames de sangue pode não ser necessário para a maioria dos testes de rotina, segundo um estudo publicado em 28 de setembro na revista científica JAMA Internal Medicine. A pesquisa avaliou milhões de resultados laboratoriais e concluiu que o período sem alimentação teve pouca influência em grande parte dos exames analisados.
Os pesquisadores examinaram 9.755.547 resultados referentes a 121 tipos de exames de rotina realizados por 101.148 pacientes. Para identificar possíveis efeitos do jejum, as amostras foram divididas em três grupos: pessoas que estavam sem comer havia menos de oito horas, entre oito e 12 horas e por mais de 12 horas.
Um dos diferenciais da análise foi a comparação dos resultados de cada paciente consigo mesmo. Dessa forma, os pesquisadores buscaram reduzir a influência de fatores individuais, como condições de saúde, que poderiam interferir nos resultados e dificultar a avaliação do efeito provocado pelo tempo de jejum.
A análise mostrou que exames como hemograma, marcadores de função renal, eletrólitos e a maior parte das enzimas hepáticas sofreram pouca ou nenhuma alteração relevante de acordo com o período sem alimentação. Também não foram identificadas diferenças significativas associadas a jejuns mais prolongados.
O cenário foi diferente em alguns testes. Exames relacionados à glicose, triglicerídeos, determinadas enzimas hepáticas e lipase apresentaram variações de acordo com o tempo de jejum, principalmente quando o período sem alimentação era inferior a oito horas.
Segundo os resultados, jejuns curtos estiveram associados a níveis 10,8% maiores de glicemia, 20,1% maiores de triglicerídeos e 36,4% maiores de lipase. A cada hora adicional de jejum, a glicemia apresentou redução de aproximadamente 4,3 mg/L.
Apesar das alterações observadas em determinados exames, os pesquisadores apontaram que prolongar o jejum para além de 12 horas não produziu diferenças adicionais relevantes nos testes avaliados. Para os autores, os resultados colocam em discussão a necessidade de manter exigências rígidas de jejum para todos os exames laboratoriais.
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