Quase 1 em cada 4 estudantes do Centro-Oeste já teve contato com bets, aponta pesquisa
15 setembro 2026 às 10h21

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Quase um em cada quatro estudantes do Centro-Oeste já realizou apostas online, segundo pesquisa da Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info. O levantamento aponta que 23,7% dos alunos da região já tiveram contato com as chamadas bets. O estudo ouviu 1.912 estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, em uma amostra representativa de escolas brasileiras, entre agosto e setembro de 2026.
O percentual coloca o Centro-Oeste entre as regiões com maior presença das apostas entre estudantes. O índice fica abaixo apenas do registrado no Nordeste, onde 25,4% dos alunos disseram já ter apostado. No Sudeste, a proporção é de aproximadamente 20%, enquanto Norte e Sul apresentam os menores percentuais, com 14,1% e 18,4%, respectivamente.
O dado do Centro-Oeste chama atenção porque envolve estudantes que, em sua maioria, ainda estão na educação básica e, portanto, são menores de idade. A pesquisa mostra que o contato com as plataformas de apostas começa cedo e aumenta conforme a idade.
No conjunto do país, 20,4% dos estudantes entrevistados afirmaram já ter apostado online. Segundo o levantamento, as apostas podem começar aos 11 anos ou antes, e aproximadamente um em cada três alunos do Ensino Médio já teve experiência com as bets.
Apostas aumentam no Ensino Médio
A diferença entre as etapas de ensino é significativa. Entre os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, 16,2% afirmam já ter apostado. No Ensino Médio, o percentual sobe para 27,3%.
O levantamento também identifica uma diferença expressiva entre meninos e meninas. Considerando todos os estudantes pesquisados, 27,8% dos meninos já realizaram apostas, enquanto entre as meninas o índice é de 12,6%.
A diferença fica ainda maior no Ensino Médio: 41% dos meninos relatam já ter apostado, contra 12% das meninas.
Parte dos estudantes não sabe se ganhou ou perdeu
Além da frequência com que os estudantes entram em contato com as bets, a pesquisa chama atenção para a dificuldade de parte deles em dimensionar o próprio resultado financeiro.
Cerca de quatro em cada dez estudantes que já apostaram não sabem dizer se ganharam ou perderam mais dinheiro nas plataformas. O levantamento aponta ainda que a exposição à educação financeira nas escolas, isoladamente, não aparece como uma barreira suficiente para impedir o contato dos alunos com as apostas.
Entre os estudantes que já apostaram, 7,4% de todos os entrevistados dizem ter ganhado mais do que perdido, 5,2% afirmam ter perdido mais e 7,6% não conseguem dizer qual foi o resultado.
Centro-Oeste também aparece nos valores das apostas
O levantamento apresenta ainda diferenças regionais nos valores declarados pelos estudantes. No Centro-Oeste, entre aqueles que afirmaram ter ganhado mais do que perdido, 7,7% relatam ganhos superiores a R$ 5 mil. O dado, porém, não significa que 7,7% de todos os estudantes da região tenham ganhado esse valor, mas que essa é a proporção dentro do grupo que declarou ter obtido mais ganhos do que perdas.
Apesar desse recorte financeiro, o principal dado regional é a dimensão do contato com as plataformas: 23,7% dos estudantes do Centro-Oeste pesquisados já apostaram online.
É importante destacar que a pesquisa não apresenta o resultado separado por Estado. Assim, o levantamento não permite afirmar quantos estudantes de Goiás já apostaram. Como Goiás integra o Centro-Oeste, os números podem ser usados para contextualizar a realidade regional, mas não como uma estatística específica do Estado.


