PCDF investiga esquema de R$ 39,6 milhões envolvendo soja e empresas fictícias
15 setembro 2026 às 09h54

COMPARTILHAR
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira, 15, a Operação Lastro Oco, que investiga um suposto esquema envolvendo crimes tributários, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro relacionados à comercialização de produtos agrícolas oriundos do Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF).
Nesta primeira etapa da operação, agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (DOT/Decor) cumprem quatro mandados de busca e apreensão.
As investigações começaram após autuações fiscais relacionadas a uma empresa que, segundo a polícia, seria fictícia e estaria registrada em nome de uma pessoa usada como “laranja”. A mulher que aparece formalmente como sócia afirmou trabalhar como empregada doméstica e negou conhecer a empresa.
O débito tributário atribuído à empresa chega a R$ 39,6 milhões.
Segundo a PCDF, a empresa teria sido utilizada para emitir documentos fiscais falsos em operações de valores elevados. Os documentos também teriam sido usados para dar aparência de legalidade à circulação de produtos agrícolas cuja origem real seria diferente da informada nas notas.
Caminhões transportavam soja sem nota fiscal
Um dos principais elementos da investigação ocorreu em setembro de 2022, quando dois caminhões foram abordados com poucos minutos de diferença no mesmo posto de fiscalização da BR-060.
Os veículos transportavam aproximadamente 67 toneladas de soja, mas não apresentavam documentação fiscal no momento da abordagem.
De acordo com a investigação, as notas fiscais só foram apresentadas depois que a fiscalização começou. Os documentos haviam sido emitidos pela empresa apontada como fictícia.
As notas indicavam que a soja tinha origem em Minas Gerais. Um dos motoristas, porém, teria informado aos investigadores que a carga havia sido retirada na região do PAD-DF.
Ainda segundo o depoimento, ele recebeu orientação para deixar o local de carregamento sem a nota fiscal e apresentar o documento posteriormente.
Polícia busca identificar beneficiários
A partir dos relatos dos motoristas, os investigadores passaram a apurar quem teria contratado os fretes e participado da operacionalização das transações.
A polícia busca agora identificar os beneficiários econômicos das operações, além de esclarecer como os valores relacionados aos supostos crimes tributários foram movimentados e qual teria sido o destino do dinheiro.
Também estão sendo investigadas as relações entre empresas dos setores de commodities, transporte e corretagem ligadas aos investigados.
O levantamento patrimonial realizado durante a apuração identificou 17 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 2,3 milhões, registrados em nome dos principais investigados e de uma empresa ligada ao núcleo operacional do suposto esquema.
Os investigados poderão responder, conforme a participação individual que for comprovada, por crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
A operação segue em andamento e a PCDF ainda deverá analisar o material apreendido para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o volume financeiro das operações investigadas.


