Promotor que iniciou carreira em pequena comarca goiana assume cadeira no CNJ
20 junho 2026 às 17h31

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O promotor de Justiça goiano Carlos Vinícius Alves Ribeiro, atual secretário-geral do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), assume oficialmente o cargo de conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no próximo dia 7 de agosto, em solenidade marcada para às 16 horas, no plenário do órgão, em Brasília, com transmissão ao vivo pelo canal oficial do CNJ no YouTube.
“Não consigo vislumbrar algum momento em que pessoalmente tivesse percebido a possibilidade de se alcançar o cargo de Conselheiro Nacional de Justiça”, afirmou Carlos Vinícius em entrevista ao Jornal Opção. Segundo o promotor, com a experiência acumulada no CNMP, com os relacionamentos construídos e com a confiança advinda desses relacionamentos, as possibilidades acabam surgindo.
Quando atuamos como Promotores de Justiça, principalmente em cidades pequenas, como Estrela do Norte, minha primeira Comarca, onde trabalhei por mais de 3 anos, compreendemos a necessidade de a justiça estar efetivamente presente em uma sociedade
Currículo
Ele é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), onde se graduou em 2001, e possui doutorado em Direito Administrativo pela Universidade de São Paulo (USP). Sua carreira no Ministério Público teve início em 2004, e, atualmente, ele é titular da 12ª Promotoria de Justiça de Aparecida de Goiânia. Desde 2022, exerce a função de secretário-geral do CNMP, cargo que ampliou sua atuação no cenário institucional brasileiro.
No âmbito acadêmico, hoje é professor do IDP em Brasília. Mas já se destacou como professor convidado de Direito Administrativo nas Universidades Federal e Estadual de Goiás e lecionou Direito Constitucional na Fundação Escola Superior do Ministério Público. Sua produção científica conta com mestrado que pesquisou as funções administrativas do Ministério Público, sua natureza jurídica, discricionariedade e limites; já no doutorado, investigou as ações estatais restritivas de direitos individuais em benefício dos próprios titulares.
Carlos Vinícius integrará o CNJ, órgão máximo de controle administrativo e financeiro do Poder Judiciário, que também fiscaliza o cumprimento dos deveres funcionais dos magistrados. O Conselho, composto por 15 membros com mandato de dois anos, admitida uma recondução, atua no aprimoramento da gestão judiciária, na fiscalização dos tribunais, na garantia do Estatuto da Magistratura e no julgamento de processos administrativos contra juízes e juízas.
Como foi a escolha
A indicação de Carlos Vinícius para ocupar uma das vagas destinadas ao Ministério Público no CNJ foi feita pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e seguiu o rito estabelecido, que envolveu o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais de Justiça dos Ministérios Públicos dos Estados e da União (CNPG). Após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, seu nome foi aprovado pela Casa Legislativa em agosto de 2025.
“Enfrentar a litigiosidade endêmica, que é um grande problema no nosso país, estimular o aprimoramento da qualidade das decisões, estimular o uso de tecnologia para desonerar o magistrado de outras atividades colaterais e deixá-lo responsável por sentenciar. Um compromisso que assumo é de tentar garantir e aumentar a confiança da população no sistema de Justiça”, afirmou durante a sabatina.
O promotor de Justiça goiano afirma que a população deve confiar no sistema de Justiça brasileiro, apesar do cenário de questionamentos enfrentado pelas instituições nos últimos anos.
Segundo ele, a grande maioria dos integrantes do Judiciário e dos órgãos de controle atua com seriedade, preparo técnico e compromisso com a sociedade. “Em uma quadra da história brasileira tão marcada pela propagação e difusão do descrédito na Justiça, o que posso assegurar é que, majoritariamente, o Sistema de Justiça é composto por pessoas preparadas, sérias, íntegras e que dedicam uma vida de estudo e abnegação para prestar justiça a quem precisa. Portanto, confiem na Justiça brasileira”, afirmou.
Ao refletir sobre a trajetória que o levou ao CNJ, Carlos Vinícius disse que nunca estabeleceu um destino específico para a carreira, mas sempre foi movido pela curiosidade intelectual e pela disposição para enfrentar novos desafios. Ele relembrou uma conversa marcante ocorrida durante uma viagem, quando ouviu de um conhecido que estava se preparando para “pilotar um Boeing” enquanto exercia funções que seriam equivalentes a pilotar um “teco-teco”. A observação permaneceu em sua memória e reforçou sua convicção sobre a importância do aprendizado contínuo. “Eu nunca imaginei um destino. Nunca objetivei algo específico, mas sou abastecido por uma curiosidade e uma vontade constante de aprender e melhorar. Não fujo de trabalho nem de desafios. O resto são os desígnios de Deus, é o mistério da vida”, declarou.
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