Profissional suspeita de causar a morte de paciente após aplicação de hidrogel não é biomédica

Delegada responsável pelo caso confirma informação divulgada pelo Conselho Regional de Biomedicina e atesta que, ainda que ela tivesse essa formação, não teria permissão para realizar o procedimento

A Polícia Civil ouviu na tarde desta quinta-feira (30/10) a mulher suspeita de provocar a morte de Maria José Medrado de Souza Brandão, de 39 anos, na madrugada deste sábado (25/10). Maria José faleceu após passar por complicações decorrentes da aplicação de hidrogel em uma clínica de estética em Goiânia.

De acordo com a delegada Myriam Vida, do 17º distrito policial, ficou comprovado que a suspeita, ao contrário do que alega, não é biomédica. “E ainda que fosse, ela não poderia realizar o procedimento médico”, disse, ressaltando que são necessários cursos específicos para que um profissional esteja habilitado para a realização de procedimentos estéticos. A delegada afirmou também que as cirurgias eram realizadas pela suspeita em total desacordo com as normas da vigilância sanitária.

Agora, para que a investigação continue, a Polícia Civil aguarda a finalização do laudo do Instituto Médico Legal (IML) que vai determinar a causa da morte, apontado até então como embolia pulmonar. Caso seja comprovado que a falsa biomédica foi a responsável pela morte de Maria José, ela responderá por homicídio culposo. Independentemente deste caso específico, ela também vai responder pelo exercício ilegal da medicina.

O caso

Maria José morreu após complicações em sua segunda aplicação de hidrogel para aumento das nádegas. O resultado do primeiro procedimento não a teria agradado, o que fez com que recorresse a outra clínica, encontrada por meio de anúncios na internet.

Ela entrou em contato com a profissional responsável, que se dizia biomédica. A mulher residia em Catalão e ia para Goiânia com frequência para realizar aplicações em salas de hotéis e clínicas alugadas.

Após o procedimento, Maria José passou mal e foi encaminhada para o Cais do Setor Vila Nova. No entanto, com a gravidade da situação, foi levada para a UTI do Hospital Jardim América. De acordo com a família, ela faleceu por volta das 5h da manhã de sábado (24) por embolia pulmonar.

Por meio de nota, o Conselho Regional de Biomedicina da 3ª Região (CRBm-3), responsável pelos Estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal, informou que não possuía qualquer registro da profissional apontada como responsável pela aplicação. “Isso nos leva a crer que ela não seja biomédica”, disse o presidente da entidade, Rony Marques de Castilho. Ele ressaltou ainda que o tipo de procedimento realizado não é de competência de um biomédico.

Já a empresa fabricante do produto aplicado informou que só se manifestará a respeito após a conclusão do laudo do IML.

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