Professores da PUC Goiás saem em defesa do reitor: “Filiação partidária é direito legítimo”

Associação respondeu contra a atitude de grupo de católicos que pede a demissão do reitor Wolmir Amado por ser filiado ao PT

Wolmir Amado, reitor da PUC Goiás, em entrevista ao Jornal Opção, em 2009 | Foto: Edilson Pelikano / Jornal Opção

Wolmir Amado, reitor da PUC Goiás, em entrevista ao Jornal Opção, em 2009 | Foto: Edilson Pelikano / Jornal Opção

A Associação de Professores da PUC Goiás (Apuc) emitiu na última quinta-feira (24/3) uma carta, na qual repudia a atitude de um grupo de católicos, liderados por um estudante da instituição, que pede a demissão do reitor da universidade, Wolmir Amado, por ser filiado ao PT. O documento, assinado pelo presidente da associação, Orlando Lisita Júnior, é contra a “falta de democracia interna e de liberdade de expressão na PUC Goiás”.

Em nota, a associação ainda presta solidariedade ao reitor e argumenta: “A filiação partidária é um direito legítimo e de foro íntimo de todas as pessoas e, portanto, do professor Wolmir Amado, a quem hipotecamos nossa solidariedade, enquanto cidadão brasileiro, no exercício de sua cidadania numa sociedade democrática”.

Liderados pelo estudante Marco Rossi Medeiros, o grupo foi à Arquidiocese de Goiânia exigir a demissão imediata do reitor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), Wolmir Amado.

Em entrevista ao Jornal Opção, Marco Rossi explica que toda a reitoria da PUC Goiás está “contaminada” com representantes de partidos comunistas, aliados ao Marxismo. “Isso não pode continuar assim. É uma afronta à Igreja Católica”, justificou.

A resposta dos professores coloca que o fato revela uma necessidade de mudança nas políticas internas da universidade. “Esta notícia revela o quanto a Administração Superior da PUC Goiás precisa repensar e reelaborar suas políticas internas, pautando-as no diálogo e promovendo ações com base em práticas democráticas de gestão para que a instituição reverbere na sociedade valores de tolerância, paz, esperança, cooperação e compromisso com profundo respeito ao ser humano.”

Confira o texto na íntegra:

Sempre na luta em defesa da democracia e da liberdade de expressão

Coerentes com a luta permanente e cotidiana da Associação de Professores da PUC Goiás contra a falta de democracia interna e de liberdade de expressão na PUC Goiás, repudiamos o fato noticiado pelo Jornal Opção de que um grupo de católicos, liderado por um estudante, tenha ido à Arquidiocese de Goiânia exigir a demissão do reitor da instituição, professor Wolmir Amado, sob argumento de que ele seja filiado a partido político.

A filiação partidária é um direito legítimo e de foro íntimo de todas as pessoas e, portanto, do professor Wolmir Amado, a quem hipotecamos nossa solidariedade, enquanto cidadão brasileiro, no exercício de sua cidadania numa sociedade democrática.  A PUC Goiás- criada como a Universidade de Goiás – foi vanguarda em diversas áreas da produção do conhecimento e também no processo de resistência e luta contra o regime militar no País. O movimento pelas Diretas Já foi lançado pelo então senador Teotônio Vilela, em 12/04/1983, no antigo ginásio da Universidade Católica de Goiás – espaço de valor histórico imensurável demolido pela atual gestão da Universidade em 2005, do qual resta apenas a fachada.

Esta notícia revela o quanto a Administração Superior da PUC Goiás precisa repensar e reelaborar suas políticas internas, pautando-as no diálogo e promovendo ações com base em práticas democráticas de gestão para que a instituição reverbere na sociedade valores de tolerância, paz, esperança, cooperação e compromisso com profundo respeito ao ser humano.

Faz-se necessário no momento estarmos juntos para reestruturar, reconstruir e resgatar o pluralismo respeitoso das ideias, efervescentes num ambiente acadêmico democrático, que fazia a antiga UCG crescer nos conceitos mais altos da educação brasileira.

Orlando Lisita Júnior

Presidente da Apuc

Associação de Professores da PUC Goiás

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