Professora da UFG é a primeira goiana a vencer prêmio nacional para mulheres cientistas

A pesquisa desenvolvida por Carolina Andrade, intitulada “Busca e planejamento de novos candidatos a fármacos (princípios ativos) para a Leishmaniose”, tem o objetivo de encontrar novos medicamentos de baixo custo que sejam eficazes para o tratamento 

carolina

Foto: Ângela Scalon

Uma goiana está entre as sete vencedoras do prêmio nacional Para Mulheres na Ciência. A professora doutora em Química Medicinal da Universidade Federal de Goiás (UFG), Carolina Horta Andrade, de 31 anos, é a primeira goiana a receber a condecoração, promovida pela L’Oreal Brasil em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência, e a Cultura (Unesco) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Além da goiana, as outras seis vencedoras são dos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Ceará.

A pesquisa desenvolvida por Carolina, intitulada “Busca e planejamento de novos candidatos a fármacos (princípios ativos) para a Leishmaniose”, teve início há quatro anos. O objetivo é encontrar novos medicamentos de baixo custo que sejam eficazes para o tratamento da doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge atualmente 12 milhões de pessoas em todo o mundo.

O mal é causado por protozoários e transmitida aos humanos pelo inseto conhecido como mosquito-palha e também acometem cães, que é seu hospedeiro intermediário. Há dois tipos da doença: a tegumentar, que se caracteriza por lesões na pele e mucosas; e a visceral, que leva ao comprometimento de órgãos como o fígado e o baço, podendo provocar hemorragias e levar à morte.

Segundo a goiana, um dos motivadores para o estudo seria o fato de a leishmaniose ser negligenciada pela indústria farmacêutica. “Trata-se de um grave problema de saúde pública, principalmente em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento como o Brasil, e que causa um elevado número de mortes por ano. O atual tratamento não é eficaz, pois os medicamentos utilizados pelo mercado foram desenvolvidos há 50 anos e são muito tóxicos, causam efeitos colaterais nos pacientes”, critica.

A pesquisa de Carolina é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ela conta também com a colaboração de outros pesquisadores e instituições, como o Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública/UFG (IPTSP/UFG) e Instituto Adolfo Lutz de São Paulo.

Na fase inicial do projeto, o grupo do qual a pesquisadora faz parte valeu-se da computação para saber como os compostos químicos reagiriam no organismo humano. Foram utilizados softwares de última geração para esse fim, possibilitando a visualização da interação das moléculas dos fármacos com as proteínas e o DNA. “Desta forma, aceleramos o processo de desenvolvimento de novos princípios ativos e reduzimos o número de experiências a serem realizadas posteriormente com animais vivos. Nos estudos computacionais, eliminamos os compostos que não se mostraram promissores.”

Feita a triagem virtual, 12 dos compostos foram selecionados e testados in vitro no laboratório e o resultado foi muito positivo. Três deles tiveram melhor resposta contra o parasita leishmania infantum, responsável pela forma mais grave do mal – em comparação ao medicamento-padrão existente no mercado.

Apesar disso, o caminho à frente ainda é cheio de desafios. Isso porque leva-se em média de 10 a 15 anos para que um novo remédio esteja disponível à população e possa ser comerciado. O processo até lá requer uma série de experimentos de praxe.

Com o prêmio obtido pelo Prêmio Para Mulheres Cientistas, Carolina vai receber R$ 20 mil, que serão investidos em seus estudos. “Fiquei muito honrada de ter sido selecionada e por conquistar esse reconhecimento científico da pesquisa realizada em Goiás. Este prêmio é motivo de orgulho e uma alegria muito grande. Ele vai trazer não só um incentivo financeiro para continuarmos as experiências, como também irá estimular todos os meus colegas e alunos que optaram por esta carreira”, disse a goiana.

A cerimônia de premiação acontece no dia 21 de outubro, às 19h, no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.