Produtores culturais de Goiás comentam propostas prometidas por candidatos

Importantes figuras locais pontuam sobre o que realmente precisa melhorar na área social que envolve o desenvolvimento da arte, entretenimento e costumes 

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Depois de divulgar as propostas para a área da cultura prometidas pelos candidatos ao governo de Goiás, o Jornal Opção buscou a opinião de importantes personalidades locais ligadas a este território. Foram ouvidos dois importantes produtores culturais de Goiânia, Gutto Lemes, organizador e realizador do Goiânia Art Déco Festival, e Carlos Brandão que tem 50 anos dedicados à arte e cultura no Estado.

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Gutto Lemes, o idealizador e coordenador do Goiânia Art Déco Festival, primeiro evento do segmento no Brasil, pontuou gradualmente as propostas do governadoriáveis. Com base na proposta do emedebista Daniel Vilela, o produtor considerou que a autonomia da pasta da cultura, que é uma das principais propostas do candidato, é importante, mas que, além disso, “seria válido que as secretárias de cultura, educação, turismo e meio ambiente pudessem dialogar entre elas para uma melhor realização dos projetos”.

“Para as propostas de José Eliton [PSDB], acredito que, mais do que fortalecer as identidades e as manifestações culturais, é prioridade que se faça antes de tudo um mapeamento onde essas ações irão ser feitas inicialmente a curto, médio e longo prazo da gestão”, ponderou Gutto.

Para ele, os equipamentos culturais ou são sucateados ou impróprios para comportar demandas culturais no Estado. “Os museus ou espaços similares não são adequados e não possuem estruturas para receber exposições internacionais que fazem filas em locais a exemplo de nossa vizinha Brasília. Além disso, cidades com mais de 50 mil habitantes deveriam ser obrigadas a possuir pelo menos um centro cultural com auditório, teatro, sala de exposição e biblioteca, dando oportunidade de cidades adjacentes menores utilizarem o espaço”, afirmou.

Gutto Lemes  | Divulgação

Gutto Lemes avaliou a proposta de Kátia Maria (PT) como “rasa”. Segundo ele, um pacto goiano na área social e cultural, que é prometido pela candidata, envolve uma questão muito mais complexa. “Uma saída seria o comprometimento da nova administração para com bons projetos executados pela anterior por meio de uma análise com os diversos segmentos culturais da cultura goiana”, considerou.

O produtor finalizou as opiniões falando da proposta de Ronaldo Caiado (DEM). “Uma Casa de Cultura Goiana, é uma boa ideia [referindo-se a uma das propostas do democrata]. Melhor seria agregar a cultura à Casa do Turista no centro da capital que, até hoje, não está em funcionamento”, sugeriu.

Gutto alertou, ainda, quanto às propostas de Caiado, que é importante economizar com novas construções e aproveitar os espaços ociosos e adaptá-los para oficinas e cursos, além de fomentar a cultura para o mercado da economia criativa.

“O Estado precisa propor, sugerir e apresentar a grandes latifundiários e empresários do setor a criação de um programa de mecenato onde eles poderiam adotar uma comunidade, um centro cultural, a criação de museus, a aquisição de obras de artes ou mesmo o apadrinhamento de um grupo de dança ou de música”, concluiu o produtor e idealizador do Goiânia Art Deco Festival, desejando boa sorte aos candidatos.

Já o produtor cultural Carlos Brandão, trouxe uma postura mais crítica sobre as propostas apresentadas pelos candidatos. Segundo ele, todos os governadoriáveis, em todas as épocas, fizeram programas como os que foram apresentados. “O único candidato que se preocupou em fazer algo diferente desse arroz com feijão, foi Henrique Santillo”, disse.

Brandão ainda se coloca a favor de retomar a Secretaria de Cultura, atualmente vinculada à pasta de Educação, e pede esforços para que o futuro governador volte à atenção à Lei Goyazes e ao Fundo Estadual de Cultura.

“É preciso também repensar atividades como o Fica e o Canto da Primavera e que ouçam produtores culturais que realmente possuem propostas de interiorizar a cultura realmente”, destaca.

Por fim, o especialista aponta a necessidade da produção cultural goiana circular no maior número possível de municípios, o que não é defendido por nenhum dos governadoriáveis.  “Goiás não é só Cidade de Goiás, Pirenópolis e Porangatu”, reforça.

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