Processo de compra da Covaxin, vacina sem comprovação de eficácia, foi três vezes mais rápida que da Pfizer

Governo Bolsonaro foi alertado diversas vezes sobre preço e eficácia da vacina indiana, mas insistiu na compra mesmo assim

Foto: INDRANIL MUKHERJEE / AFP

O Itamaraty enviou a CPI da Covid, telegramas diplomáticos  da Embaixada do Brasil em Nova Déli que comprovam que o governo brasileiro foi alertado várias vezes sobre a eficácia, segurança e o preço da vacina indiana, Covaxin. Contudo, mesmo rodeado de dúvidas, a negociação da compra da Covaxin levou apenas 97 dias, enquanto que a da Pfizer demorou cerca de 330 dias.

A Covaxin foi até agora o imunizante mais caro adquirido pelo país, custando R$ 80,70 por dose, quatro vezes mais cara em comparação com a AstraZeneca. A empresa Precisa, responsável pela produção do imunizante no Brasil, teria lucrado R$ 1,6 bilhão para produzir 20 milhões de doses e está sobre investigação do Ministério Público.

Em um dos telegramas, datado em 5 de janeiro deste ano, enviados a CPI, a Embaixada afirma que “a imprensa (indiana) celebrou o iminente processo de vacinação e saudou os esforços dos cientistas indianos, mas levantou dúvidas com relação à aprovação sem dados finais de eficácia para ambas as vacinas e ao processo alegadamente opaco de deliberação dos órgãos oficiais, uma vez que não foram publicados os documentos que embasaram a decisão do painel de especialistas e do DGCI (autoridade sanitária indiana)”. Contudo, a negociação de compra teria continuado.

O Governo Brasileiro já sabia da diferença de preço da vacina indiana para as europeias. Em outro telegrama da Embaixada, no dia 15 de janeiro deste ano, eles alegam que “especialistas em saúde pública têm criticado o alto preço que o governo informou teria pagado por cada dose da vacina (USD 2,70 para Covishield, USD 4,10 para Covaxin), superior ao que os governos europeus estariam desembolsando pela vacina Oxford/Astrazeneca, sobretudo considerando-se os menores custos de fabricação na Índia.” 

Ainda não autorizada pela Anvisa para seu uso no Brasil, a Covaxin levantou suspeitas de sua eficácia até mesmo nos governos estaduais indianos que disseram preferir pela AstraZeneca, como mostra o telegrama “após alguns Estados, a exemplo de Chhattisgarh, terem manifestado preocupação com relação à falta de dados de eficácia da Covaxin (…) o vice-ministro da saúde, Rajesh Bhushan, informou que nem governos estaduais, nem indivíduos poderão optar entre as duas vacinas”.

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