Pressionada, vereadora muda voto e se posiciona contra novo Plano Diretor

Aava Santiago disse que agora é contra o projeto, mas apontou que pode votar a favor se as emendas que ela apresentar forem aprovadas em plenário

Depois da grande repercussão negativa, a vereadora Aava Santiago (PSDB) mudou o voto e agora é contra o novo Plano Diretor de Goiânia, que tramita na Câmara Municipal e deve ser votado em fevereiro, após o o fim do recesso. A parlamentar alegou que tem sido alvo de críticas por parte dos eleitores, desde que o nome dela apareceu em uma lista que circula na internet e, acusa os vereadores de terem votado sem ler o relatório apresentado na Comissão Mista e aprovado de forma relâmpago, último dia 5. Apesar de refutar a acusação, ela fiz que será contra o projeto porque pessoas que ela respeita e admira se posicionaram fortemente contra o voto favorável que Aava deu na Comissão Mista.

“‘Ah, você está mudando seu voto depois da repercussão’. Ora, que bom que não sou uma vereadora hermética, mas disposta a ouvir e me repensar com base em análises e não apenas pelo calor do momento. Defendi o meu voto com a mesma tranquilidade que comunico essa mudança agora”, diz. Segundo Aava, ela conhecia sim o relatório, esteve em todas as audiências públicas, além de ter estudado e votado a favor da matéria por alguns pontos que havia defendido, principalmente, quanto às áreas destinadas a moradias populares e ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Esse ponto, aliás, rendeu críticas do ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Andrey Azeredo (MDB). Ele disse que, embora Aava diga que o IPTU foi um dos motivos do voto favorável ao Plano Diretor, ela se omitiu na votação desse mesmo tema quando a Casa apreciou o Código Tributário Municipal (IPTU), em setembro do ano passado. “Vereadora o IPTU progressivo é matéria que deve ser tratada no Código Tributário, aquele que você se omitiu na votação”, alfinetou Azeredo. Ela, por sua vez, rebateu a critica do emedebista ao dizer que não votou favorável nem contra porque as emendas que ela apresentou foram acolhidas parcialmente pela Câmara. “A repercussão serviu para eu ter acesso a apontamentos que não vieram antes”, alegou.

Indefinição

Apesar de ter dito que agora é contra a matéria, a vereadora tucana, que também é presidente da legenda na Capital, ainda cogita a hipótese de votar favoravelmente ao Plano Diretor. Isso porque, de acordo com Aava, ela montou um grupo de trabalho para apreciar a matéria de forma mais profunda e formular emendas que serão apresentadas à Câmara. O voto dela em plenário, segundo a própria, será condicionado à aprovação das emendas que construirá de forma coletiva.

“Se forem acatadas, votarei a favor, se forem rejeitadas votarei contra”, sustenta a tucana. “Escolhi pelo método GT para democratizar o debate e gerar resultados concretos de melhoria do texto. Assim como não votei a favor sem ter discutido, não vou apenas mudar o voto sem tentar até o último minuto aprimorar o Plano Diretor de Goiânia e entregar um produto mais justo, acessível e democrático”, diz. Desse grupo, inclusive, faz parte o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Edward Madureira (PT), além do professor da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da UFG, Frank Tavares; da ex-coordenadora do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA), Celene Cu­nha Monteiro; da arquiteta Maria Ester de Souza, entre outros.

Aava antecipou que, como resultado deste trabalho, irá lançar o “GT Eu Faço o Plano Diretor”. O objetivo é receber críticas e sugestões sobre as emendas que serão apresentadas. “O meu voto em plenário, que é onde o Plano Diretor de Goiânia é votado definitivamente por todos os vereadores e não apenas por uma comissão, será condicionado à aprovação dessas emendas que construiremos coletivamente. Se forem acatadas, votarei a favor do PDG, se forem rejeitadas, votarei contra”, antecipa. As agendas do grupo de trabalho serão divulgas previamente nas redes sociais. Os encontros serão abertos ao público.

Setor Sul

A mudança de posicionamento foi elogiada pela Associação Pró Setor Sul (Aprosul). O presidente da entidade, Edmilson Moura, disse que, se conversarem com especialistas, outros vereadores também mudarão o voto em relação ao Plano Diretor. “Muito de seus pares tomará a mesma decisão se estudarem mais o projeto de lei e conversarem com especialistas. Oxalá que isso ocorra. Goiânia agradecerá”, afirma.

A Aprosul, assim como a associação de moradores do Jaó, é contra o projeto porque o Plano Diretor autoriza o adensamento, por meio da construção de prédios, dos setores Sul e Jaó. A entidade inclusive recorreu à justiça para tentar barrar o plano.

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